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O ESTADO CRESCE E O PAÍS SUFOCA

O país vive numa realidade paralela: enquanto os cidadãos enfrentam impostos elevados, serviços públicos lentos e uma economia sufocada pela burocracia, o Estado continua a crescer, a gastar e a multiplicar cargos inúteis.
Nas últimas semanas sucederam-se casos que alimentam a indignação dos contribuintes. Um diretor de formação do INEM terá recebido cerca de 5.700 euros mensais durante anos em regime de teletrabalho, sem que ninguém questionasse a eficácia ou necessidade da função. Ao mesmo tempo, um enfermeiro foi nomeado coordenador da Estrutura de Missão para as Energias Renováveis, sendo afastado pouco depois, após o escândalo se tornar público — mais do mesmo há décadas.
Também chocou o país o caso de um médico dermatologista que recebeu mais de um milhão de euros por cirurgias realizadas em horário de trabalho, incluindo intervenções alegadamente feitas a familiares. Enquanto milhares de portugueses aguardam meses por consultas e operações, surgem pagamentos milionários dentro do próprio sistema público. A despesa aumenta, mas o serviço não melhora — sinal de um modelo capturado por interesses instalados.
Há ainda um dado revelador: no final de 2025 existiam 766.278 funcionários públicos, mais 107 mil do que no final do governo de Passos Coelho. Num tempo de digitalização e inteligência artificial, esperava-se um Estado mais eficiente — não necessariamente maior. Onde estão estes novos funcionários, se continuam a faltar profissionais nas escolas, tribunais, forças de segurança e proteção civil?
Enquanto isso, o setor privado enfrenta falta de mão-de-obra e uma carga fiscal asfixiante. Quem cria riqueza enfrenta obstáculos diários; quem vive da máquina do Estado encontra estabilidade e progressão garantidas. Não admira que muitos portugueses sintam que o mérito foi substituído pelo acesso ao aparelho político e aos inevitáveis “tachos”.
Nos Açores, anuncia-se a semana de quatro dias na administração pública, incluindo serviços responsáveis pela análise de projetos agrícolas. Entretanto, os processos acumulam-se e os lavradores continuam à espera de decisões. Enquanto os agricultores trabalham de sol a sol para sustentar esta máquina do Estado, as portas ficam mais tempo fechadas. Como dizia o ditado romano, à mulher de César não basta ser séria; tem de o parecer. Falar em semanas de quatro dias com o país “a arder” é um atentado a quem trabalha.
Mas nunca se corta nas mordomias. Ficámos a saber que o Governo paga Sport TV na residência oficial do Primeiro-Ministro e despesas em cabeleireiros para governantes — tudo suportado pelo contribuinte comum, o eterno “Zé Povinho”. Pequenos privilégios que revelam uma cultura política desligada da realidade de quem trabalha e paga impostos.
A cereja no topo do bolo surgiu quando o líder parlamentar da AD, Hugo Soares, chamou aos Açorianos “subsídio-dependentes”, referindo-se ao subsídio social de mobilidade como um privilégio, criado precisamente para compensar os custos da insularidade e garantir igualdade entre portugueses. Confesso que senti vergonha alheia e nunca esperei ouvir um líder do PSD dizer uma alarvidade destas.
Portugal não precisa de um Estado maior, mas de um Estado mais justo, transparente e exigente e não precisa de “Hugos Soares”, de tachos políticos e de gente improdutiva e incompetente.
Portugal não precisa de um Estado maior, mas de um Estado mais eficiente e exigente.
Já ninguém aguenta mais.

Francisco Lima
Deputado e Vice-Presidente do CHEGA Açores

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