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AS CAVALHADAS DE SÃO PEDRO DA RIBEIRA SECA

A posição recentemente assumida por um partido político dos Açores relativamente às Cavalhadas de São Pedro da Ribeira Seca revela, mais uma vez, uma visão profundamente desligada da realidade cultural e histórica das comunidades açorianas.
As Cavalhadas, realizadas anualmente na freguesia da Ribeira Seca, no concelho da Ribeira Grande, constituem uma das mais antigas tradições populares da ilha de São Miguel, remontando aos primeiros séculos do povoamento açoriano. Ao longo de mais de quinhentos anos, esta celebração tem sido transmitida de geração em geração, assumindo-se como um dos mais importantes símbolos identitários da comunidade local.
Trata-se de uma manifestação cultural profundamente ligada à devoção a São Pedro e à memória histórica da própria formação da sociedade micaelense. Não é apenas um desfile: é uma expressão viva da história, da cultura e da identidade da Ribeira Grande, especialmente da Ribeira Seca.
Reduzir uma tradição com séculos de existência a uma narrativa simplista de alegado desrespeito pelos animais é ignorar completamente a realidade em que estas celebrações hoje decorrem. Os cavalos que participam nas Cavalhadas são animais bem tratados e acompanhados pelos seus proprietários, que conhecem e respeitam profundamente os animais que trabalham. Nenhum cavaleiro que se apresenta nesse desfile, vai com animais mal tratados, nem tal poderia acontecer.
Importa sublinhar que estas celebrações decorrem com acompanhamento e presença das autoridades competentes, garantindo o cumprimento das normas de segurança e de bem-estar animal actualmente em vigor. Não existe qualquer cenário de negligência ou maus-tratos que justifique o tipo de acusação que se procura insinuar.
Aquilo que está verdadeiramente em causa é algo mais profundo: a tentativa recorrente de desvalorizar e colocar em causa tradições culturais que fazem parte da identidade histórica das nossas comunidades. Não passarão!
As comunidades que esquecem ou abandonam as suas tradições acabam inevitavelmente por perder parte da sua própria identidade. As Cavalhadas da Ribeira Seca são um património cultural que pertence às suas gentes e que atravessou séculos de história.
Defender o bem-estar animal é um princípio importante e amplamente partilhado pela sociedade. Mas essa defesa não pode servir de pretexto para apagar ou atacar manifestações culturais seculares que fazem parte da memória colectiva do nosso povo.
Preservar as Cavalhadas é preservar a história, a identidade e a tradição de uma comunidade que soube, ao longo de mais de cinco séculos, manter viva uma das mais singulares expressões culturais dos Açores.

João Luís da Câmara
Dirigente CHEGA Ribeira Grande

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