Está escrito na Bíblia, nos Evangelhos de Mateus, Marcos e Lucas: “Dai a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus.”
Esta passagem continua hoje tão atual como há dois mil anos.
Tenho denunciado, ao longo dos anos, a forma como alguns políticos utilizam e instrumentalizam as nossas tradições, em particular o culto ao Divino Espírito Santo e muitas das festas religiosas dos Açores, transformando momentos de fé e devoção em oportunidades de propaganda política.
Há uma diferença enorme entre participar como cidadão, como crente, como devoto, e participar como político à procura de protagonismo. A Fé não pode ser um palco nem um instrumento de marketing político.
Sempre procurei separar estas duas dimensões: a minha responsabilidade enquanto político e a minha vivência pessoal enquanto homem de fé e devoto do Divino Espírito Santo. Porque aquilo que é sagrado merece respeito.
É triste ver quem passa o ano inteiro de costas voltadas para a Igreja, para a fé e para as suas comunidades aparecer apenas quando há câmaras, fotógrafos ou campanhas. Vestem-se de crentes por um dia, mas despem-se dessa convicção logo que termina a procissão ou a coroação. Isso não é devoção. É oportunismo. E representa uma falta de respeito para com todos aqueles que vivem a sua fé de forma sincera, discreta e permanente.
Foi precisamente por defender este princípio que, no programa eleitoral do CHEGA para a Câmara Municipal de Ponta Delgada, em 2025, propus a criação de uma comissão organizadora popular, devolvendo a organização das festas ao povo, ficando a Câmara Municipal apenas responsável pelo apoio logístico e financeiro.
Continuo a acreditar que esse é o caminho certo.
As Festas do Divino Espírito Santo pertencem ao povo açoriano, às irmandades, aos mordomos, aos voluntários e a todos aqueles que, geração após geração, mantêm viva esta tradição. Não pertencem a governos, a câmaras municipais, nem a qualquer partido político.
O dever do poder político é simples: respeitar, proteger e apoiar estas tradições, nunca se apropriar delas para promover governantes, construir imagens pessoais ou transformar uma celebração religiosa num espetáculo de propaganda.
Porque há coisas que são de César.
E há coisas que são de Deus.
José Pacheco
Presidente e Deputado do CHEGA Açores

