InícioOpiniãoINCLUSÃO DE UNS, EXCLUSÃO DE OUTROS

INCLUSÃO DE UNS, EXCLUSÃO DE OUTROS

Ultimamente, a palavra inclusão tem feito parte de muitos discursos, como os políticos, educativos e/ou sociais. A palavra tem sido invocada em conferências, inscrita em programas governamentais e repetida em campanhas institucionais com uma frequência tal que quase perdeu o seu significado original.
No entanto, quanto mais se fala de inclusão, mais se impõe uma pergunta incómoda: estaremos realmente a incluir, ou apenas a simular inclusão? Estamos a incluir, ou a excluir? Porque motivo para se incluir uns, exclui-se muitos outros?
Veio este tema a propósito do facto de algumas escolas estarem a eliminar o Dia do Pai e da Mãe, porque há crianças órfãos, ou sem um dos elementos parentais. Mas e as crianças que têm pai e mãe? Como ficam? Simplesmente não ficam, porque para se incluir uns, estão a excluir-se outros, e isso, não pode ser aceitável e, tão pouco, compreensível.
Na prática, o que me parece, é que à boleia da tão propalada inclusão, há quem esteja a instrumentalizar este conceito e a usá-lo a seu bel-prazer, apenas com base em opiniões pessoais e não no todo.
Em vez de representar um compromisso sério com a igualdade de oportunidades, a inclusão tem surgido frequentemente como um rótulo conveniente, aplicado para satisfazer exigências formais ou construir uma imagem pública positiva. Criam-se relatórios, multiplicam-se iniciativas simbólicas e adoptam-se discursos moralmente apelativos, mas a realidade concreta permanece, em muitos casos, inalterada. E, pior, ainda, quando se alteram os casos, são sempre para excluir muitos, em detrimento de alguns.
A verdadeira inclusão não é isso!
Além disso, existe uma dimensão ideológica que não pode ser ignorada. A inclusão é, por vezes, apresentada como um imperativo incontestável, onde qualquer crítica é imediatamente rotulada como retrógrada ou discriminatória. Este clima inibe o debate sério e impede a avaliação crítica das políticas implementadas. Ora, uma sociedade democrática não pode abdicar do direito de questionar, ajustar e melhorar as suas estratégias, especialmente quando estas têm impacto directo na vida das pessoas.
Se quisermos uma sociedade verdadeiramente inclusiva, temos, de uma vez por todas, de colocar de parte as opiniões pessoais e abandonar a ideia que para incluir, é necessário excluir.
Se assim permanecer, continuaremos a celebrar uma inclusão que existe apenas no discurso, enquanto a exclusão persiste silenciosa no quotidiano.

Olivéria Santos
Deputada CHEGA Açores

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