InícioOpiniãoA FÉ DE UM POVO E AS FESTAS DO SENHOR SANTO CRISTO...

A FÉ DE UM POVO E AS FESTAS DO SENHOR SANTO CRISTO DOS MILAGRES

Há coisas que não se explicam. Sentem-se.

E as Festas do Senhor Santo Cristo dos Milagres são uma dessas coisas. Não são apenas tradição, não são apenas religião, não são apenas turismo. São a alma de um povo. São a fé viva de São Miguel e dos Açores.

Nestes dias, a ilha muda. As ruas enchem-se, mas também parecem ganhar outro silêncio. As portas abrem-se. As colchas aparecem nas janelas. As flores cobrem o caminho. A cera arde. As bandas passam. E no meio de tudo isto há lágrimas, promessas, saudade, dor, gratidão e esperança.

Há gente que vem de longe. Há emigrantes que atravessam oceanos. Há famílias que se reencontram. Há mães que rezam pelos filhos. Há filhos que rezam pelos pais. Há homens e mulheres que, mesmo sem grandes palavras, sabem que ali está algo maior do que todos nós.

O Senhor Santo Cristo dos Milagres não é apenas uma imagem. Para o povo açoriano, é conforto. É memória. É proteção. É a mão amiga nos dias difíceis. É o lugar onde muitos deixam as suas dores, os seus medos e as suas promessas.

Quantas vezes, perante aquela imagem, já se chorou em silêncio?
Quantas vezes se pediu por saúde, por trabalho, por paz, por um filho longe, por uma mãe doente, por uma família aflita?
Quantas vezes aquele olhar foi o único conforto de quem já não sabia a quem recorrer?

É isto que muitos não percebem.

Quem olha para estas festas apenas como um evento, não percebe nada. Quem vê apenas procissões, luzes, bandas e movimento, não percebe o essencial. O essencial está nos olhos das pessoas. Está nas mãos que seguram o terço. Está nos joelhos cansados. Está no silêncio quando o andor passa. Está naquela lágrima que cai sem pedir licença.

Os Açores sempre foram um povo de luta. Um povo que enfrentou tempestades, terramotos, pobreza, isolamento, saudade e emigração. Mas também sempre fomos um povo de fé. E foi muitas vezes essa fé que nos segurou de pé quando tudo o resto parecia faltar.

Por isso, as Festas do Senhor Santo Cristo dos Milagres não são apenas uma celebração. São uma afirmação da nossa identidade. São a prova de que ainda há raízes. Ainda há memória. Ainda há valores. Ainda há Povo.

Num tempo em que se tenta apagar tudo, relativizar tudo e transformar as nossas tradições em simples cartazes turísticos, é bom lembrar que há coisas que não se vendem, não se fabricam e não se substituem. A Fé de um Povo não cabe num programa de festas. A devoção não cabe numa campanha de promoção. A alma dos Açores não cabe num folheto turístico.

E, sim, estas festas também trazem movimento, economia e visitantes. Ainda bem. Mas antes de tudo isso, trazem aquilo que mais importa: união, devoção e esperança.

Durante estes dias, independentemente das diferenças políticas, sociais ou ideológicas, há algo que nos junta. Há algo que nos lembra quem somos. O Senhor Santo Cristo dos Milagres é um desses raros momentos em que os Açores se reconhecem a si próprios.

Porque acima das guerras pequenas, das polémicas passageiras e do barulho dos dias, continua ali uma verdade maior: a Fé de um Povo.

E enquanto esta fé existir, os Açores nunca perderão a sua alma.

Desejo a todos os açorianos, e a todos os que nos visitam, umas Santas e Boas Festas do Senhor Santo Cristo dos Milagres.

José Pacheco
Presidente e Deputado do CHEGA Açores

#ChegaAçores #JoséPacheco #OliveriaSantos #FranciscoLima #HeliaCardoso #JosePauloSousa #partidochega #andréventura #CHEGA #NãoNosCalarão #SomosATuaVoz #Açores #AçoresComVentura #MaisPróximoDasPessoas

RELATED ARTICLES

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Most Popular

Recent Comments