No próximo dia 4 de Maio passam dois anos desde que ardeu parte do Hospital do Divino Espírito Santo, em Ponta Delgada.
24 meses passados e nada se conhece sobre o arranque das obras do futuro novo hospital que serve não só a ilha de São Miguel, mas pacientes de todo o arquipélago. São anúncios atrás de anúncios, e a verdade é que na prática nada avança e a saúde dos açorianos vai ficando cada vez mais fragilizada, com uma infra-estrutura que não está a responder em condições a todas as necessidades e, mais grave ainda, que está a deixar quem lá trabalha à beira de um ataque de nervos.
A construção do hospital modular, que se dizia que era uma solução provisória, está a transformar-se no que parece vir a ser uma opção definitiva e isso não pode ser bom para ninguém, principalmente para todos os açorianos.
O atraso nas obras do maior hospital dos Açores mais do que um simples contratempo administrativo, é um sinal de que muito vai mal na nossa Região, a começar no sector da saúde, que está carregado de fragilidades na gestão de investimentos públicos essenciais para os Açores.
Um hospital não é apenas um edifício: é um pilar central da qualidade de vida, da segurança e da dignidade de uma população. Quando um projecto desta dimensão se atrasa repetidamente, os impactos fazem-se sentir muito além das paredes da obra e estão a atingir directamente os cidadãos que dependem de cuidados de saúde eficazes e atempados.
Os açorianos precisam de respostas concretas, precisam saber quando começam as obras e quando terão esta unidade hospitalar a funcionar em pleno, sem terem de recorrer a uma estrutura sem condições dignas, como é o caso do modular, ou a terem de optar por consultas no privado, sabe Deus como!
Enquanto se brinca com a saúde dos açorianos, vamos assistindo a uma população que continua a depender de infra-estruturas desactualizadas, profissionais de saúde a trabalhar em condições longe do ideal, e um sistema sob pressão crescente.
Não podemos tolerar toda esta inércia, pois, quando se trata de saúde, cada mês de atraso pode traduzir-se em consultas adiadas, diagnósticos mais lentos e, em casos extremos, vidas em risco.
O novo hospital de Ponta é uma necessidade urgente. E, como tal, exige compromisso político, competência técnica e, acima de tudo, respeito pelos açorianos que dele dependem.
Olivéria Santos
Deputada do CHEGA Açores

