InícioNotíciasOPERAÇÃO "LAST CALL" NOS AÇORES: UM TESTE À TRANSPARÊNCIA

OPERAÇÃO “LAST CALL” NOS AÇORES: UM TESTE À TRANSPARÊNCIA

A recente “Operação Last Call”, desencadeada pela Polícia Judiciária nos Açores, não é apenas mais um episódio judicial. É algo que merece a nossa total atenção e preocupação porque em causa está dinheiro público – o dinheiro do esforço de todos os açorianos – que poderá, alegadamente, estar a ser usado de forma irresponsável e, pior que isso, de forma, supostamente, ilegal.
Vivemos numa Região onde a proximidade entre poder político, economia e sociedade é, inevitavelmente, mais estreita e, como tal, a transparência torna-se fundamental para que não surjam dúvidas e para o combate, acérrimo, à corrupção. Algo que o CHEGA tem vindo a defender constantemente.
Na passada Terça-feira, a PJ realizou uma operação policial efectuando buscas em São Miguel, Terceira e Faial, bem como em Lisboa, no âmbito de um inquérito que investiga a prática dos crimes de fraude na obtenção de subsídio ou subvenção, prevaricação, participação económica em negócio e abuso de poderes.
Em causa estão suspeitas graves de alegado favorecimento de uma companhia aérea através de financiamento público indevido.
Mas mais do que os contornos jurídicos – que caberá aos tribunais esclarecer – importa reflectir sobre o significado político e social deste momento.
O problema começa quando se lançam suspeitas de favorecimentos do poder político a uma empresa ou pessoa.
Uma situação que se torna mais grave, caso as suspeitas se vierem a confirmar. Aí sim, estaremos perante algo que vai muito para além do que uma simples irregularidade administrativa. Será o fim da confiança dos cidadãos num sistema que deve ser, por definição, transparente e equitativo. E essa confiança, uma vez abalada, não se recompõe com comunicados nem com declarações de circunstância.
O que não se entende é porque ainda continuam a surgir casos destes? O que está a faltar? Porque se insiste em favorecer uns em detrimento de outros? Porque se continua a pensar que quando se está no poder, se tem legitimidade para fazer tudo o que lhe apetece, muitas vezes, por caminhos duvidosos, e sem que seja chamado à responsabilidade dos seus actos.
Por este motivo, entendo que a “Operação Last Call” deve, por isso, servir como ponto de viragem e de exemplo para outros. Não apenas para apurar responsabilidades individuais, mas para repensar práticas institucionais.
No fim, a questão é simples: queremos um modelo de desenvolvimento baseado na confiança ou na suspeita?

Olivéria Santos
Deputada do CHEGA Açores

RELATED ARTICLES

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Most Popular

Recent Comments