Nos Açores fala-se muito do crescimento do turismo. Surgem novos hotéis, novos alojamentos e muito investimento em construção. Mas no meio de tudo isto fica uma pergunta simples: onde está o investimento nas pessoas que fazem o turismo funcionar todos os dias?
A realidade começa logo nos operadores e nas agências de turismo, que enfrentam também grandes desafios para vender o destino Açores lá fora.
Essa pressão passa depois para os hotéis, restaurantes e outros serviços. E no fim da cadeia quem sente muitas vezes essa pressão são os trabalhadores.
A hotelaria e a restauração acabam por ser muitas vezes o parente pobre deste sucesso do turismo. São os trabalhadores que recebem quem nos visita, que estão nas receções, nas salas, nas cozinhas e nas limpezas.
São eles que dão a cara pelo destino.
Mas a realidade para muitos é dura. Horários longos, muitas vezes 10 ou 12 horas de trabalho, pressão constante e salários que nem sempre acompanham o esforço.
É comum ouvir dizer que quem trabalha com o público tem de ser simpático. Claro que sim. Mas também é preciso ter condições de trabalho justas.
Também temos de ser claros: não se pode pagar o salário mínimo e esperar dedicação máxima. Quem trabalha nesta área, muitas vezes com horários difíceis, fins de semana e grande responsabilidade no contacto com o público, merece mais do que o mínimo.
Porque quando se paga o mínimo, o resultado acaba muitas vezes por ser também o mínimo.
A formação começa nas escolas profissionais, onde muitos jovens aprendem a gostar desta área. Mas quando chegam ao mercado de trabalho encontram muitas vezes uma realidade bem diferente.
Também é verdade que existem bons exemplos. Há equipas com bom ambiente, camaradagem e empresários que valorizam os seus colaboradores. Esses merecem reconhecimento.
Mas também sabemos que ainda existem situações onde o esforço de muitos serve apenas para encher o bolso de alguns maus patrões.
Ao mesmo tempo vemos outro problema na sociedade: enquanto uns trabalham longas horas, outros passam o tempo entre casa e cafés a dizer que são muito espertos por viverem à custa do sistema.
Se lhes dão, claro que aceitam.
Talvez esteja na altura de valorizar mais quem trabalha e quem faz a economia mexer todos os dias.
Porque sem estas pessoas, quem recebe, serve, cozinha e limpa, não existe turismo nos Açores.
Lorena Pereira
Deputada Municipal do CHEGA em Ponta Delgada

