Por estes dias, o barulho vem do costume. A esquerda descobriu agora a pólvora e anda muito indignada com a utilização da Base das Lajes.
Mas afinal, qual é a dúvida? Uma base militar existe para fins militares. Não é um centro comercial, não é um mercado agrícola, não é uma feira gastronómica. É uma infraestrutura estratégica no meio do Atlântico, integrada na lógica da defesa e da geopolítica internacional. E quem lá opera são forças militares, nomeadamente dos Estados Unidos.
O que é verdadeiramente sério não é fingir surpresa por aviões militares usarem uma base militar. O que é sério é perguntar:
– Os Açores estão a tirar proveito estratégico desta posição?
– Existem contrapartidas financeiras, económicas e diplomáticas à altura da importância geoestratégica do arquipélago?
– Como se explica que haja trabalhadores ligados à estrutura a receber abaixo do salário mínimo nacional?
É aqui que devia estar o foco. Não na indignação teatral, mas na negociação firme. Não na ideologia antiamericana de café, mas na defesa concreta dos interesses açorianos.
Os Açores não podem ser apenas uma pista de aterragem no meio do Atlântico. Têm de ser um parceiro respeitado. Se somos estratégicos, então que isso se traduza em investimento, emprego digno e desenvolvimento real para a Terceira e para toda a Região.
Menos ruído ideológico. Mais exigência política.
Porque uma coisa é certa: a Base das Lajes não é para vender frangos. Mas também não pode ser para vender os Açores ao desbarato.



