Os portugueses vivem hoje um dos períodos mais negros das suas vidas. A tempestade Kristin arrasou um país que já vinha fragilizado, deixando um rasto de destruição difícil de descrever sem indignação. Casas destruídas, meios de subsistência perdidos, famílias sem luz, sem água, sem comida, sem acesso a medicação. Pessoas que trabalharam uma vida inteira viram tudo desaparecer em questão de minutos.
Perante este cenário devastador, o que mais choca não é apenas a força da natureza, mas a frieza das decisões humanas.
Em pleno estado de emergência social e humanitária, o país foi chamado a votar, houve pedidos claros para o adiamento das eleições, invocando o sofrimento real da população e a impossibilidade de muitos exercerem o seu direito em condições dignas. Esses pedidos foram negados pelo Presidente da República, pela Comissão Nacional de Eleições e por responsáveis políticos que preferiram manter o calendário intacto.
A mensagem que passa é dura mas clara: Para alguns, os votos contam mais do que as pessoas. O sofrimento do povo torna-se secundário face aos interesses partidários e à manutenção de agendas políticas. Mais uma vez, fica provado que o sistema trata os cidadãos como números, úteis apenas quando convém.
Em momentos de catástrofe, a prioridade deveria ser inequívoca: proteger pessoas, garantir dignidade, assegurar condições mínimas de sobrevivência.
A democracia não se enfraquece por saber esperar. Enfraquece, sim, quando ignora a realidade de quem não tem sequer forças para pensar em política porque está a lutar para sobreviver.
Portugal precisa de líderes que coloquem as pessoas em primeiro lugar não apenas nos discursos, mas nas decisões difíceis. Nos próximos cinco anos, inevitavelmente, outras catástrofes poderão atingir Portugal e vai ser preciso tomar decisões com firmeza e com estratégia, algo que não se vislumbra com o novo Presidente da República eleito.
Será que durante os próximos cinco anos teremos a liderança que é preciso?
Pedro Rodrigues
Dirigente do CHEGA Açores

