A situação da saúde na ilha do Pico atingiu um nível inaceitável e profundamente indigno.
Quando a precariedade dos serviços de saúde se sobrepõe aos sentimentos, às famílias e até ao direito a uma morte digna, estamos perante uma falha grave do Estado. Não é apenas a assistência em vida que está comprometida — é também o respeito devido às pessoas após a sua partida.
Segundo notícias recentes, existem neste momento três corpos a aguardar autópsia há mais de uma semana. Esta realidade prolonga o sofrimento das famílias, impede o luto e fere a dignidade de toda uma comunidade.
O Pico tem vindo, de forma cada vez mais evidente, a expor fragilidades estruturais que não podem continuar a ser ignoradas — desde a escassez de profissionais de saúde até à falta de respostas céleres e eficazes. Não estamos perante um episódio isolado, mas sim perante o reflexo de um sistema que necessita de responsabilidade, coordenação e ação imediata.
Exigimos uma resposta urgente das entidades competentes. É imperativo garantir meios, reforçar equipas e assegurar que nenhuma família volte a passar por um sofrimento desta natureza.
Os Picoenses merecem dignidade na vida.
Mas merecem, sobretudo, dignidade na morte.
O silêncio não pode ser opção. A inação não pode ser regra.
Gualter Sousa
Dirigente CHEGA Pico




