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SALAS DE CHUTO: DESISTIR NÃO É AJUDAR

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Nos últimos tempos tem voltado à discussão pública a ideia de criar salas de consumo assistido, vulgarmente conhecidas como “salas de chuto”. Convém dizer isto de forma clara e honesta: isso não é política social, é desistência do Estado.
Disfarça-se o problema com palavras bonitas como “redução de danos”, mas a realidade é crua: normalizar o consumo de droga não salva ninguém da dependência. Apenas a institucionaliza. O dependente continua dependente, a nossa terra degrada-se e o Estado lava as mãos dizendo que “fez alguma coisa”.
Não fez. Limitou-se a gerir o fracasso.
Cada euro gasto numa sala de chuto é um euro que não vai para aquilo que realmente importa: tratamento sério, desintoxicação, acompanhamento psicológico, reinserção social e profissional. Ajudar alguém não é facilitar o vício. Ajudar é puxar essa pessoa para fora do poço, mesmo quando isso exige decisões difíceis.
Há quem diga que estas salas salvam vidas. A pergunta que importa fazer é outra: salvam vidas para quê, se não lhes devolvem dignidade, autonomia e futuro? Manter alguém preso à droga, com apoio institucional, não é humanismo. É conformismo político.
Nos Açores, este debate tem ainda uma dimensão que muitos ignoram. Somos uma região pequena, de comunidades próximas, onde tudo se sente com mais intensidade. Importar modelos falhados de grandes centros urbanos do continente ou do estrangeiro é uma irresponsabilidade. Onde surgem salas de chuto, surgem também tráfico, pequenos furtos, insegurança e degradação do espaço público. Não é ideologia. É experiência repetida.
O combate à toxicodependência faz-se antes da seringa, não depois. Faz-se com prevenção nas escolas, apoio às famílias, combate sério ao tráfico e autoridade do Estado. Faz-se com políticas que tenham como objetivo final retirar as pessoas da droga, não criar estruturas permanentes para a acomodar.
A esquerda gosta de gerir problemas porque isso garante discursos eternos, estruturas dependentes do financiamento público e a sensação de superioridade moral. O que raramente faz é resolver esses problemas. As salas de chuto são o exemplo perfeito dessa lógica: mantêm o problema vivo, controlado, e politicamente explorável.
Nos Açores, a nossa posição tem sido clara e coerente. Não normalizamos a droga. Não financiamos a autodestruição. Não desistimos das pessoas. Apostamos na recuperação, na responsabilização e na dignidade humana, mesmo quando isso não dá manchetes fáceis nem aplausos automáticos.
A verdadeira coragem política não está em abrir salas de chuto. Está em dizer que esse caminho falhou e em ter a coragem de seguir outro, mais exigente, mais duro, mas também mais justo.
Porque ajudar não é desistir. E o Estado não pode ser cúmplice da destruição silenciosa dos seus próprios cidadãos.
José Pacheco
Presidente e Deputado do CHEGA Açores