A montanha está a acordar. E quando a montanha acorda, nada fica exatamente igual. Na ilha do Pico, esse despertar fez-se sentir de forma clara nas urnas, à semelhança do que aconteceu em todo o país. A vitória de André Ventura não foi apenas um resultado eleitoral: foi um sinal. Um sinal profundo de que algo mudou — e de que muito mais está prestes a mudar.
Durante anos, habituámo-nos a uma política confortável para alguns e sufocante para muitos. Um sistema fechado sobre si próprio, alimentado por dependências, favores e medos cuidadosamente cultivados. Sempre que surge a possibilidade de ruptura, mobilizam-se os mesmos de sempre: os que vivem do sistema, os que têm tudo a perder com a mudança, os que preferem a estagnação à responsabilidade.
Na ilha do Pico, essa mobilização foi visível. Juntaram-se forças, discursos, pressões e apelos ao medo. Tentou-se travar o que já não pode ser travado. E mesmo assim, não conseguiram. André Ventura ficou em segundo lugar na ilha do Pico — um feito político que, mais do que números, revela um estado de espírito coletivo.
Este resultado diz-nos que há uma parte significativa da população que já não se revê na política do silêncio, da resignação e da obediência. Pessoas cansadas de promessas vazias, de desigualdades normalizadas, de decisões tomadas longe da realidade de quem vive, trabalha e luta diariamente nesta ilha.
A montanha tremeu porque representa algo maior do que geografia. Representa identidade, resistência e memória. E quando até a montanha parece reagir, é porque o descontentamento deixou de ser sussurro e passou a ser voz. Uma voz que exige mudança real, não cosmética. Uma política que sirva as pessoas e não os aparelhos partidários. Uma presidência com coragem, verdade e proximidade.
Ignorar este sinal seria um erro grave. Menosprezá-lo, um ato de arrogância política. O que aconteceu no Pico não é um episódio isolado, é parte de um movimento mais amplo que atravessa o país. Um despertar cívico que já não aceita ser tratado como ameaça, mas como consequência de anos de afastamento entre o poder e o povo.
A montanha acordou. E quando isso acontece, o eco ouve-se longe.
Gualter Sousa
Dirigente CHEGA Pico




