Estas eleições presidenciais não foram apenas a vitória clara de dois candidatos. Foram a certidão de óbito político do PSD enquanto força mobilizadora, autónoma e credível.
A candidatura de Marques Mendes foi miserável, irrelevante e patética. Uma campanha, sem energia, sem povo e sem convicção. Um candidato que nem o seu próprio partido quis acompanhar. O PSD não perdeu: desistiu.
Nos Açores, a realidade é ainda mais crua e incómoda. O socialista venceu praticamente todo o arquipélago, com São Miguel como única exceção, onde André Ventura “varreu” o mapa. E é precisamente aqui que o PSD entra em pânico. Para onde vão agora os votos sociais-democratas? Para António José Seguro ou para André Ventura? Não há terceira via, não há desculpas, não há fuga possível.
Em São Miguel, Ventura ganhou em todos os concelhos, exceto Ponta Delgada. Na Ribeira Grande, venceu em todas as freguesias. Não foi um protesto ocasional, foi uma rejeição clara da política do costume. Foi o eleitorado a dizer, alto e bom som, que está farto de elites acomodadas, partidos vazios e líderes de gabinete.
A chamada esquerda tradicional — essa canhota cansada, previsível e arrogante — que é a CDU e o Bloco de Esquerda sofreram uma derrota humilhante. Uma goleada histórica. E não, não é um acidente de percurso: é o início do seu desaparecimento político. Continuam a falar sozinhos, a repetir slogans gastos, enquanto o país real lhes vira as costas.
O símbolo máximo desta noite aqui em São Miguel foi grotesco: sedes do PSD fechadas antes de se conhecerem os resultados finais. Nunca aconteceu. Um partido que fecha portas para não ver a própria queda. Um partido que já não acredita em si próprio. O dilema de Luís Montenegro é gigantesco, mas o dilema dos sociais-democratas açorianos é ainda maior: ou assumem a realidade ou continuam cúmplices desta derrota eleitoral.
Quem pensava que seria um possível erro a candidatura de André Ventura, enganou-se. Pela primeira vez na história política nacional, um candidato apoiado pelo PSD não está numa segunda volta eleitoral, ficando atrás de um candidato Liberal.
São Miguel deu ontem um sinal claro, na política açoriana. Todos sabemos que eleições são todas diferentes, mas que ontem deu um gostinho doce para aqueles que querem uma mudança real, lá isso deu. Outros engoliram em seco. Os comentadeiros do costume da RTP Açores, lá vieram com as suas teorias. E durante essa semana irão vir os outros comentadeiros atirar uns baldes de água fria para acalmar as hostes do PSD.
A única proteção que lhes resta é esta: o voto é secreto. Porque se não fosse, a vergonha seria pública.
Disse!
João Luís Rodrigues da Câmara
Dirigente CHEGA Ribeira Grande

