No debate de urgência promovido pelo CHEGA sobre agricultura, o deputado Francisco Lima foi bastante pormenorizado no discurso inicial, abrangendo as várias áreas do sector que necessitam de uma intervenção firme para que a agricultura continue a ter futuro nos Açores.
O parlamentar questionou qual a estratégia do actual Governo para se corrigirem os problemas que se arrastam no sector agrícola, para que se possa enfrentar o futuro. É que, afirmou o deputado, “se nada for feito e o Governo continuar a apresentar como única medida estruturante o fim dos rateios à custa do orçamento regional, a agricultura dos Açores caminha a passos largos para um desastre anunciado”.
É por isso que o CHEGA entende que o Governo tem de mudar de rumo para se definir uma estratégia clara para a agricultura Açoriana “baseada na valorização, na inovação, na sustentabilidade e na eficiência”. Mas essa mudança “exige coragem política para enfrentar os problemas. Exige verdade. Exige acção”, reforçou Francisco Lima.
A agricultura, afirmou, “deixou de ser uma prioridade para este Governo de coligação” e as políticas públicas não estão a travar essa tendência, o que deve servir de alerta para o Governo. Os investimentos nas explorações estão estagnados, os preços de alguns produtos agrícolas, como o leite, estão em queda acentuada e com falta de incentivos ao investimento.
Ao nível da carne o mercado parece estar em alta, mas o número de abates reduziu quase 6%, o que “é um sinal de alerta importante e uma tendência que tem de ser invertida”.
Relativamente à reconversão, os incentivos para passar do leite para a carne “como forma de fazer subir o preço do leite, raramente resulta” e em algumas ilhas, como São Jorge, Faial e Pico, a reconversão pode ditar o fim do sector leiteiro.
Francisco Lima apontou também o dedo ao Observatório Agro-alimentar dos Açores, que tem como objectivo monitorizar a cadeia de valor do leite e dos produtos lácteos na Região, mas que “se limita a publicar estatísticas e a reportar acontecimentos e, até à data, não se conhece qualquer utilidade prática deste organismo”.
O acordo Europa-Mercosul e qual a estratégia da Região para este novo desafio para atenuar esta “catástrofe anunciada”; o transporte de gado vivo a partir de várias ilhas que continua a falhar e quais as medidas concretas para resolver este problema; os caminhos agrícolas que continuam a degradar-se e quantos quilómetros de caminhos foram requalificados nos últimos anos; ao nível da Sanidade Animal a imputação aos produtores dos custos das análises das doenças da produção; bem como as pragas que destroem as produções na Região, foram questões colocadas ao Governo.
Marca Açores, agro-turismo, falta de abastecimento de água às explorações, excesso de burocracia, falta de mão-de-obra, e os “crónicos atrasos nos pagamentos dos apoios” foram outras situações apontadas pelo CHEGA para a falta de estratégia num sector tão importante para a economia regional, mas que está a deixar de ser atractivo para o futuro.
Horta, 15 de Abril de 2026
CHEGA I Comunicação

