O Grupo Parlamentar do CHEGA iniciou hoje um debate de urgência sobre o Hospital do Divino Espírito Santo (HDES), nomeadamente para apurar decisões acerca da escolha pelo hospital modular quando, um antigo administrador do Hospital de Ponta Delgada garantiu em comissão parlamentar que o hospital estaria pronto para abrir em Agosto do ano passado, mas não abriu.
O líder parlamentar do CHEGA, José Pacheco, questionou também sobre a manutenção do actual Conselho de Administração que autorizou a Presidente a acumular funções de médica no público e no privado, ou mesmo que a empresa de um familiar directo da Presidente tenha beneficiado de ajustes directos para apetrechar o hospital modular.
José Pacheco lançou perguntas que urgem resposta, para se perceber se foram as melhores opções para dar resposta aos problemas que se colocaram com o incêndio de 4 de Maio de 2024, no maior hospital da Região. “De quem partiu a decisão pelo hospital modular? Foi uma sugestão da empresa ou uma iniciativa do Governo? Procuraram alternativas? Se um relatório interno, já tornado público, indicava que havia condições para reabrir o hospital na totalidade em Agosto de 2024, porque não aconteceu?”, questionou.
Mas José Pacheco questionou ainda “porque foi afastada a Administração da altura da tomada de decisões, deixando essa responsabilidade exclusivamente para a directora clínica, Paula Macedo? As adjudicações directas no valor de 13,9 milhões de euros foram objecto de consulta a várias empresas? Onde estão os documentos que comprovam isso?”. E acrescentou: “o processo de nomeação de Paula Macedo para Presidente do Conselho de Administração do HDES tem sustentação legal, considerando que acumula funções públicas e privadas na área de medicina? Onde está o fundamento jurídico para tal? O Governo Regional considera correcto que o fornecimento de alguns equipamentos tenha sido feito por uma empresa pertencente ao irmão de Paula Macedo? O Governo Regional mantém confiança política em Paula Macedo e restante equipa, apesar de todas essas suspeitas? Que consequências teremos disto?”.
Além disso, o parlamentar questionou porque foi afastada “uma directora financeira com 32 anos de serviço com o argumento de não ser confiável? Quando é que começou a ser de pouca confiança, com a actual administração?”.
José Pacheco lançou também questões sobre os constrangimentos para os doentes do maior hospital da Região, querendo saber se “há algum levantamento dos danos causados aos doentes pelos constrangimentos causados pelo encerramento do HDES e a deslocalização de doentes? Houve algum aumento de óbitos?” e quer saber se haverá outro destino para o hospital modular. “Face ao atraso no início das obras no HDES, o Governo não pondera mudar a urgência para o edifício (e afectar o modular a outro fim) para não sacrificar os doentes à circulação entre o HDES e os módulos, com custos financeiros e riscos de saúde?”, questionou.
“É necessário esclarecer os factos, dissipar todas as dúvidas e obter respostas objectivas e transparentes para os Açorianos, os utentes e os contribuintes, que, neste momento, são os mais prejudicados por essa situação”, declarou José Pacheco.
O parlamentar acrescentou ainda que “a experiência ensina-nos que, quando se insiste excessivamente numa solução sem considerar alternativas, é porque algo está errado, muito errado, e dificilmente irá melhorar”, rematando que “o que está em causa aqui não é quem teve, tem ou terá razão ou mesmo culpa. O que realmente importa é a saúde dos Açorianos, que devem estar sempre em primeiro lugar e merecem respostas claras e objectivas”.
Neste sentido, José Pacheco questiona mesmo se esta não será a oportunidade de se repensar a gestão hospitalar, dando como exemplo outras entidades públicas regionais, para questionar se “não seria mais eficiente termos uma única administração hospitalar central com vários vogais nas diversas unidades”.
Horta, 12 de Fevereiro de 2025
CHEGA I Comunicação

