InícioOpiniãoA ESTABILIDADE ERA APENAS PROPAGANDA!

A ESTABILIDADE ERA APENAS PROPAGANDA!

Confesso que já vi quase tudo na política açoriana. Mas há momentos que conseguem sempre ultrapassar os limites do aceitável.

Ouvir um membro de um Governo liderado pelo PSD admitir publicamente que pode vir a viabilizar um Governo do PS é uma dessas situações.

Não estamos a falar de um comentador político.
Não estamos a falar de alguém afastado do poder.
Estamos a falar do vice-presidente de um Governo que passou anos a atacar o PS e a vender aos Açorianos a ideia de que representava uma alternativa ao socialismo que governou os Açores durante décadas.

Afinal, bastou o poder começar a tremer para cair a máscara.

Aquilo que durante anos foi apresentado como convicção política parece afinal ter prazo de validade. Hoje percebe-se que, para alguns, as chamadas “linhas vermelhas” desaparecem rapidamente quando o objectivo passa a ser apenas sobreviver politicamente.

E é precisamente isso que os Açorianos estão a assistir neste momento: desespero político.

Durante anos disseram que o CHEGA era o problema.
Disseram que o CHEGA era instabilidade.
Disseram que o CHEGA representava um risco.

Mas agora vemos membros do próprio Governo admitir entendimentos com o PS, o mesmo partido que diziam combater.

A pergunta é simples: afinal em que ficamos?

A verdade é que muitos Açorianos começam finalmente a perceber aquilo que o CHEGA denuncia há muito tempo: existe um sistema político instalado que muda de discurso conforme a conveniência do momento.

Hoje governam juntos de um lado.
Amanhã podem governar juntos do outro.
O importante é manter lugares, influência e poder.

Enquanto isso, os Açorianos continuam a enfrentar problemas gravíssimos:
• uma saúde pública em crise;
• um HDES sem rumo claro;
• combustíveis absurdamente caros;
• famílias esmagadas pelo custo de vida;
• jovens sem perspectivas;
• pobreza estrutural crescente;
• uma SATA permanentemente mergulhada em turbulência.

Mas perante tudo isto, há quem esteja mais preocupado em garantir futuras alianças políticas do que em resolver os problemas reais da Região.

E depois admiram-se do crescimento do CHEGA.

O CHEGA cresce precisamente porque cada vez mais pessoas estão fartas deste jogo de cadeiras entre partidos que passam a vida a fingir que são adversários, mas que rapidamente se entendem quando o poder está em risco.

Os Açorianos não são ingénuos.
As pessoas percebem perfeitamente o que está a acontecer.

Quando um parceiro de Governo admite viabilizar o adversário histórico, isso significa apenas uma coisa: o projecto político da coligação está esgotado.

Já não existe rumo.
Já não existe coerência.
Já não existe confiança política.

Existe apenas sobrevivência.

E talvez seja precisamente por isso que estas declarações acabaram por ter um efeito contrário ao esperado: confirmaram aquilo que muitos suspeitavam há muito tempo.

No fim do dia, PSD, CDS e PS continuam presos à mesma lógica de sempre:
manter o sistema vivo, custe o que custar.

Mesmo que para isso seja necessário dizer hoje exactamente o contrário daquilo que diziam ontem.

José Pacheco
Presidente e Deputado do CHEGA Açores

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