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TEMOS DE COMBATER A XENOFOBIA CONTRA OS AÇORIANOS

Ao longo da história, aprendemos a viver — ainda que com dificuldades — com o afastamento geográfico, económico, social e cultural do continente português. Essa é uma realidade incontornável, mas muitos de nós persistimos em contrariá-la e melhorá-la sempre que possível.

Muitos de nós sofremos com a ideia de sermos vistos como “rústicos” ou “menos desenvolvidos”, quando, na realidade, os Açores possuem uma cultura riquíssima, uma história fascinante e uma comunidade resistente que contribuiu enormemente para a identidade portuguesa.

Diante dos lamentáveis eventos recentes, foi ridículo e ofensivo o que vimos ser dito e feito relativamente ao nobre povo destas ilhas. Ridicularizar a nossa pronúncia — aliás, característica apenas de uma única ilha, São Miguel — revela uma profunda ignorância e uma preocupante falta de cultura e conhecimento sobre o próprio país.

O desconhecimento sobre o número de ilhas dos Açores até pode ser desculpável, mas os comentários depreciativos que ouvimos constantemente, apenas por sermos de terras distantes e falarmos de forma diferente, são inaceitáveis e ofensivos.

Ser açoriano é uma virtude. No entanto, alguns, na sua mediocridade intelectual e cultural, veem isso como uma limitação ou uma característica menor. Esse é um reflexo de um pensamento colonialista, semelhante à forma como, erradamente, se tratavam os povos das antigas colónias.

Por outro lado, o fato de eu ser do CHEGA e ser açoriano faz-me questionar se tudo o que tem sido dito seria repetido caso envolvesse outro partido e outra localidade.

Essa xenofobia interna — dentro do nosso próprio país, que deveria reconhecer que Portugal tem duas regiões autónomas — é deprimente e constitui um ataque feroz a uma parte essencial do território nacional.

Nestas belas ilhas, que nunca se arrogaram de ser nem melhores, nem piores que outras paragens, vivem pessoas nobres que, ao longo de séculos, tiveram de lutar contra tudo e contra todos, inclusive contra a própria natureza. Nesta região já nasceram ilustres portugueses que enalteceram esta nação, fosse nas áreas política, cultural, desportiva, económica ou social.

Aqui também é Portugal, mesmo que alguns não queiram admitir. Aqui também pagamos impostos e cumprimos as leis, com direitos e deveres. Aqui, certamente, não é terra de larápios ou malfeitores, como alguns tentam retratar — especialmente certa comunicação social sensacionalista e oportunista, que promove uma agenda obscura que, um dia, todos haveremos de descobrir.

É inaceitável que alguém seja tratado de forma menos digna apenas por ser açoriano.

A grandeza de Portugal também se deve ao mar dos Açores, entre muitos outros fatores. Se alguns não compreendem isso, é porque, na verdade, não compreendem Portugal — mesmo quando batem no peito e afirmam defender a sua pátria.

Se queremos combater esse preconceito, é fundamental valorizar a cultura açoriana, reconhecer a sua importância na história de Portugal e não permitir que discursos discriminatórios sejam normalizados. Afinal, somos todos portugueses e devemos celebrar as nossas diferenças, em vez de usá-las para nos dividir.

Haja saúde e, sobretudo, bom senso.

José Pacheco
Presidente e Deputado do CHEGA Açores

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