O wokismo “clássico” sobrevive e dissemina-se como um vírus maligno, através da criação e promoção de novas e artificiais injustiças e insatisfações sociais – sempre a criar e a “vender” novas extravagâncias ideológicas. Este wokismo assenta no permanente ataque aos valores conservadores e tradicionais da sociedade, em que a maioria do povo acredita. O wokismo explora as alegadas injustiças sociais sofridas pelas minorias, inflacionando-as a um nível paranoico. Os partidos de extrema-esquerda, os media e muitos políticos, adotaram de forma entusiástica o wokismo. No caso da extrema-esquerda, esta foi a forma disfarçada de impor o marxismo cultural.
O wokismo aposta no revisionismo histórico para punir e castigar os países colonizadores (e racistas na sua narrativa) e para reparar os danos provocados pela escravatura; também defende a punição do homem branco (uma espécie de “Racismo Invertido”) de forma perpétua, pois nunca se poderá redimir do pecado original de ser branco e por isso opressor. Para esta gente, o sexo biológico também deve ser substituído pelo “sexo sociológico” – uma verdadeira salada russa, melhor dizendo, um “arco-íris” de possibilidades.
O wokismo cultural ou identitário escalou para novos patamares de loucura e alienação e recentemente começou a atacar as ciências exatas por serem consideradas racistas e exigirem resultados precisos sem ter em conta a “cultura identitária” do indivíduo, pelo que raças diferentes de pessoas, à luz dessa cultura Woke, chegarem a resultados diferentes na resolução de um problema matemático; os professores passaram a ser recrutados para muitas universidades na Europa e Estados Unidos da América, não pela sua competência, mas por pertencerem a certas minorias rácicas ou sexuais.
No cinema, a “Branca de Neve” passou a ser interpretada por uma atriz branca e agora é negra e não há novela ou cinema que não inclua um casal homossexual para ser (ou parecer) inclusivo. No desporto, nos últimos Jogos Olímpicos, vimos um homem a competir com as mulheres e a esmurrar mulheres sem dó nem piedade e até a Miss Portugal …foi um homem. Atualmente ser homem branco, católico e heterossexual é quase uma vergonha. É este o nível de paranoia e alienação coletiva em que a cultura woke pretende transformar a sociedade.
Esta ideia original que visava proteger as minorias (já protegidas constitucionalmente), rapidamente se transformou num movimento totalitário e de cancelamento de quem tiver apenas opinião diferente e é neste momento um problema grave que merece atenção. A maioria do povo, de forma democrática, vai respondendo como pode em eleições e por isso quem ouve as notícias do outro lado do Atlântico não se admirou com a vitória do senhor Trump, que ataca abertamente o Wokismo e pretende repor a “normalidade social”, tendo já tomado uma primeira medida emblemático que foi acabar com a “diversidade sexual” – agora nos Estados Unidos só são reconhecidos os sexos biológicos: homem e mulher, os denominados “sexos alternativos”, passam a ficar na esfera pessoal de cada um.
Mas este wokismo social, cultural e identitário, extravasou as fronteiras do social e agora atinge a esfera do político e do económico. Muitas empresas e políticos empenham-se mais para garantir a aprovação das minorias e das agendas woke do que em trabalhar para a maioria, para quem realmente as energias e os recursos se devem direcionar.
Não há programa eleitoral que não fale em “inclusão” ou “cidades inclusivas”; não há dinheiro que chegue para dar casas e rendimentos a certas minorias excluídas que na prática não querem nem trabalhar nem se integrar na sociedade. Por isso, até dar prioridade nas creches aos filhos dos pais que trabalham é politicamente incorreto pois não protege as tais minorias que pretendem deixar os filhos na creche e irem todo o dia para os cafés. Os políticos perderam coragem para enfrentar essas minorias ruidosas – preferem ficar aprisionados na procrastinação, na inação e no negacionismo dos problemas. O wokismo cultural agora avança de braço dado com o extremismo ambiental – o novo maná do wokismo são as alterações climáticas, em nome das quais é possível proibir tudo.
É urgente travar esta “Ditadura das minorias”. Não podemos continuar com o Wokismo e com as suas agendas radicais, como é o caso do “extremismo ambiental” em nome do qual se mandou fechar centrais de carvão e nucleares na Europa, enquanto os nossos concorrentes diretos (China, Estados Unidos e outros) vão tratando da sua vidinha e até nos vendem essas mesmas energias não renováveis.
Nos Açores proibimos e condicionamos a construção à beira-mar (até 500 metros da orla costeira) e continuamos a criar reservas atrás de reservas para satisfazer o gaudio de alguns ambientalistas e a desertificar as ilhas; não podemos continuar a criar reservas marinhas enquanto os outros estrangeiros pescam à vontade nos nossos mares sem restrições. Não podemos continuar a desvalorizar o nosso património fundiário a troco dumas “medalhas de sabão” dadas pela Unesco, ou outras instituições não democráticas que andam por aí completamente capturadas pela cultura Woke.
Estamos na periferia da Europa em termos geográficos e na cauda da Europa em termos económicos, mas queremos estar, estupidamente, na vanguarda da Europa em termos de proibicionismo e da “cultura do bom aluno”, condicionando o nosso desenvolvimento e agravando a nossa subsidiodependência. O nosso destino enquanto sociedade não pode ser “morrer pobres, mas felizes”, pois tudo fizemos para salvar o planeta e nada fizemos para salvar os Açorianos da pobreza e da subsidiodependência.
O “wokismo político” criou demasiadas “vacas sagradas”, como as baixas fraudulentas no setor da educação. Como o politicamente correto é dizer que os professores (e todos os portugueses como diz o Professor Marcelo) são pessoas fantásticas, extremamente empenhados na sua profissão, nada se pode questionar. Mas não há como escamotear que centenas estão de baixa médica e que o número de professores aumentou desproporcionalmente ao número de alunos.
Mas também a saúde – esse buraco negro económico – que a esquerda diz que não pode ser um negócio e que pelos vistos é muito proveitoso para muitos médicos, nomeadamente aqueles que estão nos hospitais a ganhar 100 euros à hora sem sequer picarem o ponto ou aqueles que passam baixas fraudulentas sem verem os doentes. Há dias uma proposta do Chega que exigia contrapartidas face aos aumentos salariais dos médicos, foi literalmente reprovada – não há coragem para mexer com as “vacas sagradas do regime”: classes profissionais, sindicatos e certas minorias.
Enquanto nos Açores o “wokismo cultural” ainda não atingiu os níveis de loucura e alienação de outras paragens, já o nosso “wokismo político e económico” está bem e recomenda-se e prefere negar os problemas reais das pessoas, preferindo não se mexer nas “vacas sagradas do regime”.
O wokismo e a sua cultura de cancelamento e do politicamente correto já capturou os partidos da esquerda radical, os socialistas, os liberais socialistas (liberais na economia e socialistas nos costumes) e alguma direita “fofinha” ou envergonhada.
Por este andar, um dia destes, nem um novo D. Sebastião nos salvará.
Francisco Lima
Deputado e Vice-Presidente do CHEGA Açores

