São Jorge é uma ilha com uma terra única, capaz de produzir sabores de grande qualidade e diversidade, não pode virar as costas aos seus próprios produtos.
A comercialização de produtos locais começa agora a dar os primeiros passos, através da criação de espaços destinados ao comércio e à divulgação daquilo que é nosso. É uma forma de estimular a produção local, valorizar os nossos agricultores e dar nova vida a produtos tropicais, mel e tantos outros alimentos saborosos que se produzem nas nossas Fajãs e noutras zonas da ilha com condições favoráveis.
Ao mesmo tempo, é impossível não olhar com preocupação para os inúmeros terrenos abandonados, tomados por plantas infestantes e pragas, que outrora eram cultivados e constituíam fonte de sustento para muitas famílias, chegando alguns dos seus produtos a ser exportados.
É evidente que quem está nos gabinetes a gerir a coisa pública nem sempre tem verdadeira consciência do que significa cultivar a terra, cuidar de uma produção, preparar os produtos e levá-los até aos mercados para os colocar à venda.
Por outro lado, o consumidor que procura os sabores da nossa terra — muitas vezes também turistas que visitam a ilha — depara-se com situações difíceis de compreender. Já aconteceu nas Velas e, mais recentemente, na Calheta, onde um mercado terá sido encerrado, alegadamente por contar apenas com três feirantes.
Não é aceitável.
Mesmo que estivesse presente apenas um produtor, esse produtor deveria ter a oportunidade de vender aquilo que produziu. É precisamente através destas oportunidades que se incentiva a produção e se cria mercado para os nossos produtos.
Querem fechar os mercados municipais numa ilha que ainda tem uma oferta rudimentar de produtos da terra? Porquê?
Com atitudes tomadas a partir dos gabinetes, por quem muitas vezes não sabe sequer o que implica plantar e colher uma couve, não vamos lá, meus amigos.
O CHEGA não aceita esta forma de limitar o desenvolvimento da nossa terra. Não aceitamos esta falta de visão, nem a falta de empatia para com quem trabalha, produz e procura criar riqueza a partir dos recursos da nossa ilha.
Há cerca de um ano, durante a campanha autárquica, o CHEGA comprometeu-se a trabalhar no sentido de melhorar o Mercado Municipal das Velas e de promover a sua abertura todos os fins de semana.
Posteriormente, todos os partidos se associaram a essa iniciativa no concelho das Velas. Passado um ano, porém, os partidos do sistema com representação municipal pouco ou nada fizeram para concretizar esse objetivo.
O povo não precisa apenas de música e de a Câmara distribuir dinheiro.
É preciso obra estruturante, visão e estratégia para o futuro. É preciso tornar a ilha mais competitiva e criar mais economia e oportunidades.
Nesse sentido, sugerimos ao atual elenco municipal das Velas uma solução concreta: a construção de uma cobertura no parque de estacionamento situado por detrás do Tribunal.
Essa cobertura poderá ser construída em betão ou noutro material adequado, permitindo que, durante a semana, as viaturas possam permanecer protegidas das condições climatéricas.
Aos fins de semana, e sempre que se justifique, o mesmo espaço poderia transformar-se num local destinado a feiras, mercados, exposições, eventos culturais, concertos e outras iniciativas do município.
Seria, na prática, uma espécie de parque municipal de exposições e eventos, uma infraestrutura que atualmente faz falta às Velas e que poderia ser utilizada durante todo o ano, incluindo nos dias em que as condições meteorológicas não permitem realizar atividades ao ar livre.
Esta seria uma obra com utilidade permanente, capaz de apoiar os produtores locais, dinamizar o comércio, atrair visitantes e criar novas oportunidades para a economia da ilha.
Valorizar quem produz. Apoiar quem trabalha. Criar condições para vender. Investir no futuro.
É assim que se defende a nossa terra.
José Brasil
Dirigente CHEGA São Jorge

