Há uma pergunta que fazemos há algum tempo e que alguém tem de responder:
Será que, através do Subsídio Social de Mobilidade, estamos também, indiretamente, a financiar a SATA e a TAP?
Porque não é normal vermos passagens entre os Açores e o continente a 300, 400, 500 euros e até mais.
Estamos a falar de duas companhias com participação pública, que deveriam ter também uma responsabilidade acrescida na mobilidade dos cidadãos, mas que continuam a apresentar tarifas que muitas famílias açorianas simplesmente não conseguem suportar.
Imaginem uma família de quatro pessoas a ter de adiantar 500 euros por passagem. São 2.000 euros só para comprar os bilhetes, antes de hotel, alimentação, transportes ou qualquer outra despesa.
Depois dizem-nos:
“Não há problema, o açoriano tem o Subsídio Social de Mobilidade.”
Pois tem. Mas quem paga o resto?
O dinheiro não desaparece.
A companhia vende a passagem ao preço comercial. O passageiro suporta uma parte e o Estado, através do mecanismo de mobilidade, suporta outra.
Então a pergunta é legítima:
Quanto dinheiro público está efetivamente a chegar à SATA e à TAP através das passagens abrangidas pelo Subsídio Social de Mobilidade?
E há outra questão ainda mais importante:
Se as companhias sabem que existe um mecanismo público que suporta parte do preço, existe verdadeiramente o mesmo incentivo para baixar as tarifas?
É isto que queremos ver esclarecido.
Quanto custam, em média, estas passagens? Quanto adianta o açoriano? Quanto é posteriormente reembolsado? E quanto receberam SATA e TAP, nos últimos anos, através de bilhetes abrangidos por este sistema?
Porque o Subsídio Social de Mobilidade foi criado para garantir a mobilidade dos açorianos.
Não foi criado para sustentar tarifas absurdamente elevadas.
E este problema já não afeta apenas quem vive nos Açores. Afeta também quem nos quer visitar.
Se viajar para os Açores se torna demasiado caro, perdemos competitividade enquanto destino turístico. Menos passageiros significam menos pessoas nos hotéis, nos restaurantes, no comércio, nos táxis, no rent-a-car e nas empresas de animação turística.
E ainda temos outro absurdo: muitas vezes o açoriano tem primeiro de ter centenas de euros disponíveis para comprar a passagem, para só depois enfrentar o processo de reembolso.
Portanto, não basta dizer que existe Subsídio Social de Mobilidade.
Temos de saber quem está realmente a beneficiar deste modelo.
Por isso, vamos questionar o Governo e exigir números.
O Subsídio Social de Mobilidade está verdadeiramente a financiar a mobilidade dos açorianos ou está também, indiretamente, a financiar a SATA e a TAP e a permitir que se mantenham tarifas incomportáveis?
Esta é uma pergunta que tem de ser feita.
E os açorianos merecem uma resposta.
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