Muito se fala da falta de mão de obra, da dificuldade das empresas em contratar e da necessidade de recorrer à imigração. Mas raramente se fala das verdadeiras causas deste problema.
Há alguns anos, trabalhar significava conquistar independência, sair de casa dos pais e construir um futuro. Hoje, muitos jovens olham para o mercado de trabalho e perguntam-se se vale a pena? Com salários baixos, rendas incomportáveis e um custo de vida cada vez mais elevado, muitos perdem a motivação e outros procuram no estrangeiro as oportunidades que Portugal não lhes oferece.
Do outro lado estão os empresários. Gostariam de pagar melhores salários, mas vivem asfixiados por impostos, burocracia e custos cada vez mais elevados. Sem margem para crescer, também não conseguem atrair ou manter trabalhadores.
Entretanto, continuamos a aumentar a dependência do Estado.
Que fique claro, os apoios sociais são essenciais e devem existir para ajudar quem realmente precisa. Mas devem servir para apoiar uma fase difícil da vida e ajudar as pessoas a recuperar autonomia, nunca para substituir o trabalho ou transformar-se num modo de vida permanente.
Infelizmente, o Estado parece preferir retirar cada vez mais a quem trabalha, investe e cria riqueza para sustentar um sistema que, em demasiados casos, desincentiva o esforço.
É legítimo perguntar: se queremos um Estado que promova autonomia ou um Estado que perpetue a dependência? Afinal, quem depende do Estado tende também a depender das decisões de quem governa.
Enquanto isso, a classe média continua a pagar a maior parte da fatura. Trabalha, desconta, paga impostos e vê-se cada vez mais distante de conseguir comprar casa, constituir família ou simplesmente viver com tranquilidade.
Uma sociedade justa não é aquela que penaliza quem trabalha para premiar a dependência. É aquela que protege quem realmente precisa, mas que valoriza o mérito, recompensa o esforço e faz do trabalho o principal caminho para uma vida melhor.
Se continuarmos neste rumo, não nos podemos admirar com a falta de mão de obra, com empresas sem trabalhadores e com milhares de jovens a abandonar o país.
Porque um país cresce quando valoriza quem trabalha, não quando faz da dependência um modelo de governação.
Lorena Pereira
Deputada Municipal do CHEGA em Ponta Delgada

