Toda a gente pensava que as consequências da imigração descontrolada se fariam sentir apenas no continente. Não é isso que vai acontecer.
Numa recente audição na Comissão da Economia, o secretário regional das Finanças revelou que as estatísticas demográficas mais recentes mostram que a população do continente cresceu muito mais do que a dos Açores — e que essa diferença vai ter uma consequência muito concreta para o orçamento da Região.
Todos sabemos o que se passou no continente português: os sucessivos governos socialistas de António Costa abriram a imigração descontrolada, ao ponto ridículo de, num acidente de viação na Índia, terem morrido vários «portugueses» que nunca tinham posto os pés em Portugal. Vieram também a público diversos casos de moradas fiscais onde, alegadamente, residiam várias centenas de pessoas na mesma casa — uma fraude manifesta que ninguém quis ver.
Esta hecatombe de imigrantes que usam Portugal como plataforma giratória para a Europa, ou simplesmente para viver da subsidiodependência, é um facto incontornável. Quando o Chega, há uns anos, alertava para a chegada de quase um milhão de imigrantes, todos os restantes partidos nos acusaram de xenofobia, de demagogia e dos chavões do costume. Agora são quase dois milhões.
Os socialistas garantiam que a imigração aumentava a riqueza do país, mas as estatísticas mais recentes provaram exatamente o contrário: essa imigração não contribuiu para o aumento do PIB per capita — contribuiu para a sua redução. Não só porque muitos destes imigrantes não trabalham e vivem de subsídios ou de economia informal, como as atividades a que se dedicam são, na sua maioria, de baixo valor acrescentado. Isto não é opinião política — são factos estatísticos.
Enquanto os países a sério selecionam a imigração que pretendem receber, em função das necessidades reais da sua economia, Portugal não aplicou qualquer critério. Hoje com cerca de dois milhões de imigrantes em vez de riqueza, empobrecemos coletivamente.
Os Açores não sofreram esta invasão migratória. Pelo contrário — em setores como a hotelaria e restauração, a construção civil ou a agricultura, continua a haver falta de mão de obra, agravada pelos milhares de açorianos que, por via do RSI ou de baixas fraudulentas, se recusam a trabalhar.
A imigração descontrolada dos governos socialistas, com a conivência do PSD, teve como efeito concreto que os Açores, por terem registado um decréscimo relativo de população face ao continente, vão ser penalizados pela via da capitação do IVA em 20 milhões de euros e pela via das outras transferências em outros 30 milhões — uma fatura pesada.
A situação é, no mínimo, caricata. Todos sabemos que os açorianos não ficaram «mais ricos» que os restantes portugueses do continente. Mas para o Governo da República a conclusão é simples: vamos transferir menos dinheiro para os Açores e para a Madeira, porque os senhores ficaram mais ricos que nós.
Quando todos pensávamos que as políticas socialistas de imigração descontrolada não teriam consequências aqui nos Açores, eis que são precisamente aqueles que menos contribuíram para este descalabro quem vai pagar a fatura.
Os partidos do sistema, os comentadores, a comunicação social, todos criticaram, acusaram, desvalorizaram quem falava no problema. No entanto, a vida dos açorianos e madeirenses vai ficar pior por culpa destas políticas socialistas do passado.
Não foi por falta de aviso do Chega.
Francisco Lima
Deputado e Vice-Presidente do CHEGA Açores

