Uma conversa com José Pacheco e Liliana Teixeira, no Caniçal, na ilha da Madeira, mostrou que, apesar da distância geográfica, Açores e Madeira enfrentam preocupações muito semelhantes no setor das pescas.
De um lado e do outro do Atlântico português, repete-se o receio de que a pesca tradicional esteja progressivamente a desaparecer, juntamente com uma forma de vida que durante gerações garantiu o sustento de milhares de famílias insulares.
No Caniçal, uma terra profundamente ligada ao mar, foi recordado o tempo em que os pescadores saíam para garantir o sustento das suas famílias e em que era natural os filhos seguirem os passos dos pais. Hoje, essa continuidade está cada vez mais ameaçada.
Menos apoios, dificuldades crescentes e falta de reconhecimento da profissão ajudam a explicar por que razão cada vez menos jovens veem na pesca uma atividade capaz de lhes garantir um futuro.
E esta não é apenas uma realidade madeirense. Nos Açores, muitas comunidades piscatórias enfrentam preocupações semelhantes.
Foi precisamente esta realidade comum que ficou evidente na conversa realizada no Caniçal: dois arquipélagos, o mesmo oceano e desafios que atravessam as fronteiras entre ilhas.
O encontro aconteceu ainda num dia particularmente simbólico para o Caniçal, marcado pelas celebrações de Nossa Senhora da Piedade e pela tradicional ligação da população ao mar.
O mar não representa apenas paisagem. É património, identidade, economia, tradição e sustento.
Para os Açores e para a Madeira, é uma das maiores riquezas existentes e a preservação das pescas significa também proteger comunidades, profissões e conhecimentos transmitidos entre gerações.
A pesca tradicional não pode transformar-se apenas numa memória do passado.
Açores e Madeira têm muito em comum nesta batalha: defender os pescadores, preservar as comunidades piscatórias e garantir que continua a existir futuro para quem escolhe fazer do mar a sua vida.
Dois arquipélagos. Os mesmos problemas. Um mar que nos une. E uma pesca que não podemos deixar morrer.

