InícioOpiniãoPRIORIDADE NAS CRECHES: JUSTIÇA SOCIAL OU PRIVILÉGIO ENCAPOTADO?

PRIORIDADE NAS CRECHES: JUSTIÇA SOCIAL OU PRIVILÉGIO ENCAPOTADO?

As creches foram criadas para responder a uma necessidade prática: cuidar das crianças enquanto os pais trabalham. Sem creches, muitas famílias ficariam impossibilitadas de garantir rendimento.
No entanto, o que temos assistido nos últimos anos é uma inversão desta necessidade. Filhos de pais que trabalham, são deixados de fora para dar lugar a filhos de famílias mais desfavorecidas, em que, muitas vezes, os pais, ou um destes elementos, não trabalha.
Ciente desta realidade, o CHEGA fez aprovar, por maioria, na Assembleia Legislativa dos Açores uma iniciativa para que fossem alteradas as regras de admissão nas creches, dando prioridade a crianças com pais trabalhadores. O problema é que, apesar da proposta ter sido aprovada, continuam a existir muitas famílias que trabalham que não conseguem vagas nas creches para os filhos.
Para o CHEGA, esta é uma questão clara: Quem trabalha deve ser prioridade absoluta, mas, infelizmente, não tem sido assim.
Há quem esteja a fazer das creches um depósito de crianças de pais irresponsáveis que, por não terem capacidade de criar os filhos, colocam os filhos nestas instituições que substituem o papel dos pais. Nada mais errado! Para além de desvirtuar o verdadeiro objectivo da existência das creches, esta metodologia cria grandes injustiças sociais, prejudicando quem verdadeiramente precisa daqueles espaços para deixar os filhos e poder ir trabalhar. Não se pode admitir que um elemento do agregado familiar deixe de trabalhar, só porque não tem lugar numa creche. Isso é o mundo ao contrário.
O acesso às creches tem de ser um dos pilares mais claros de uma política pública orientada para a igualdade de oportunidades. Contudo, o que se tem verificado em muitos casos é exactamente o contrário. Foi criado um sistema de prioridades que, em vez de corrigir desigualdades, acaba por as perpetuar ou até mesmo agravá-las.
Anda-se a privilegiar quem não trabalha, em detrimento de quem contribui para a nossa economia. Famílias de classe média, que trabalham, descontam e cumprem, veem-se frequentemente ultrapassadas por critérios pouco compreensíveis ou por decisões administrativas difíceis de escrutinar. Pior ainda é quando se sabe que há indicações superiores a certas instituições para que se favoreça este ou aquele, ignorando, assim, a legislação em vigor.
E depois queixam-se quando a sociedade, com razão, diz estar a perder a confiança no sistema público.

Olivéria Santos
Deputada do CHEGA Açores

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