O 25 de Abril é, sem margem para dúvidas, uma conquista histórica. Não está em causa. Mas uma democracia não se mede apenas pelo momento em que nasce, mede-se, acima de tudo, pela forma como encara aquilo que veio a seguir.
Desde muito novo que oiço gritar a palavra LIBERDADE. Uma palavra forte, mobilizadora, que respeito e defendo. Mas há uma pergunta que se impõe: liberdade para quem?
Porque a verdadeira liberdade não é seletiva. Não é confortável. Não é só para quem pensa da mesma forma. A liberdade exige coerência, e, sobretudo, respeito por quem discorda.
E é precisamente aqui que a narrativa começa a falhar.
Quando André Ventura levanta a voz para lembrar que, no pós-25 de Abril, houve portugueses privados da sua liberdade sem acusações sólidas, sem garantias, sem justiça, o que acontece? Parte dos deputados da constituinte levanta-se e abandona as galerias. Não por falta de liberdade… mas por incapacidade de lidar com ela.
Isto não é democracia madura. Isto é intolerância disfarçada de virtude. É incapacidade de aceitar a Liberdade dos outros.
Fica claro que, para alguns, a liberdade só existe quando diz aquilo que lhes convém. Quando questiona, incomoda ou expõe contradições… já não serve. Já não é bem-vinda.
Mas a história não se apaga com silêncios seletivos.
Houve terrorismo em Portugal nos anos 80. Houve mortos. Houve vítimas. E houve decisões políticas que, até hoje, continuam por explicar, ou pior, continuam por assumir.
Refiro-me, sem medo, às FP-25 de Abril. Um grupo responsável por atos terroristas, por vidas perdidas, por famílias destruídas. E que, ainda assim, beneficiou de decisões políticas que muitos nunca conseguiram aceitar, nem esquecer.
Ao fim de cinquenta anos, digo-o com toda a frontalidade: estou farto de ver criminosos transformados em heróis. Não são. Nunca foram.
O que aconteceu aos retornados de África foi, em muitos casos, um abandono vergonhoso, um crime.
As prisões arbitrárias que ocorreram após o processo revolucionário, inclusive nos Açores, foram uma violação clara daquilo que se dizia estar a ser construído: um Estado de Direito.
E a amnistia a terroristas das FP-25 de Abril foi uma afronta direta às vítimas e às suas famílias.
Isto não é uma questão ideológica. É uma questão de justiça.
Numa democracia séria, não há crimes bons nem crimes maus consoante a cor política de quem os comete. Há crimes. Ponto.
E enquanto continuarmos a relativizar a história, a escolher o que nos convém lembrar e a ignorar o resto, estaremos longe da verdadeira liberdade.
Porque a liberdade a sério não tem donos.
E, muito menos, tem filtros ideológicos.
José Pacheco
Presidente e Deputado do CHEGA Açores
#ChegaAçores #JoséPacheco #OliveriaSantos #FranciscoLima #HeliaCardoso #JosePauloSousa #partidochega #andréventura #CHEGA #NãoNosCalarão #SomosATuaVoz #Açores #AçoresComVentura #MaisPróximoDasPessoas

