Nos Açores há uma realidade que só não vê quem não quer: vivemos numa região exposta a riscos constantes, sismos, tempestades, cheias rápidas, derrocadas. Aqui, a Proteção Civil não é um extra. É uma questão de sobrevivência.
E, mesmo assim, continuamos a obrigar os açorianos a pagar uma taxa audiovisual na fatura da eletricidade que não serve, em nada, as prioridades reais da Região.
Isto não faz sentido. E pior: é uma injustiça.
A chamada taxa audiovisual financia o serviço público de rádio e televisão. Mas nos Açores, onde cada euro faz diferença e onde os riscos são bem reais, a pergunta é direta: faz algum sentido continuar a enviar este dinheiro para Lisboa enquanto faltam meios, equipamentos e investimento na Proteção Civil e até à própria RTP Açores?
O CHEGA Açores diz claramente: não faz. E tem defendido, sem ambiguidades, que esta receita deve ficar na Região e ser canalizada diretamente para quem protege vidas.
Não estamos a falar de tirar informação às pessoas. Estamos a falar de garantir o essencial: segurança, prevenção e capacidade de resposta.
E há um ponto que não pode ser ignorado: esta medida é também uma forma de tirar as corporações e associações de bombeiros do sufoco financeiro permanente em que vivem. Quem salva vidas não pode viver a pedir ajuda para sobreviver.
E o mais irónico, ou talvez revoltante, é que nem sequer o argumento do “serviço público” se sustenta: até a própria RTP Açores sofre com falta de financiamento adequado por parte do centralismo de Lisboa.
Ou seja, o dinheiro sai dos açorianos, vai para Lisboa… e nem sequer garante um serviço forte na Região. Resultado? Nem temos uma Proteção Civil devidamente equipada, nem temos um serviço público de comunicação robusto. Fica tudo a meio, tudo fraco, tudo mal gerido.
Isto não é falta de dinheiro. É falta de prioridades.
Redirecionar a taxa audiovisual para os bombeiros e para a Proteção Civil é uma decisão de bom senso. É garantir mais meios, mais estabilidade, mais capacidade de resposta em todas as ilhas.
Mas, acima de tudo, é uma decisão de respeito pelo povo açoriano.
Ou continuamos a alimentar um modelo centralizado que ignora a realidade dos Açores, ou temos coragem de fazer o que tem de ser feito.
Mais do que nunca, é tempo de colocar os Açores e os açorianos em primeiro lugar.
Porque quando a emergência acontece, não é Lisboa que aparece primeiro. São os nossos bombeiros.
E esses merecem mais do que palavras. Merecem meios.

