Na Assembleia Municipal de Ponta Delgada decidiram mexer no regimento. Não foi para melhorar o debate. Não foi para dar mais voz aos eleitos. Foi para cortar tempo ao CHEGA. Ponto.
A alteração passou com os votos de todas as forças políticas, exceto do CHEGA, que votou contra. Quando é para tentar travar quem incomoda, deixa de haver diferenças ideológicas. Unem-se todos. Aí já não há esquerda, direita ou centro. Há apenas o instinto de autoproteção.
Num momento em que a democracia exigia mais debate, mais escrutínio e mais transparência, fizeram o contrário. Reduziram o tempo. Encolheram o contraditório. Apertaram o microfone a quem faz perguntas incómodas.
Para que se perceba o que está em causa, um partido com um único eleito dispõe de dois minutos. O CHEGA, com quatro eleitos, fica com três. Isto não é distração. Não é erro técnico. É uma decisão política consciente. É aritmética feita à medida para limitar quem fiscaliza, denuncia e confronta.
Falam em pluralismo, participação e respeito democrático. Mas isso acaba quando a oposição começa a apertar. Aí instala-se a velha lógica da maioria absoluta: quem manda corta, quem discorda que se cale. E os restantes alinham, porque é mais confortável proteger o sistema do que defender o debate livre.
A verdade é simples: o CHEGA incomoda. Incomoda quem está habituado a gerir o município sem grande resistência. Incomoda quem prefere decisões feitas em circuito fechado. Incomoda quem não gosta de ser confrontado com números, factos e responsabilidades.
Mas que fique claro: não nos vão calar!
Podem reduzir minutos. Podem tentar impor limites regimentais. Podem fazer contas para nos encurtar o tempo de intervenção. Não conseguem encurtar a convicção, nem diminuir a determinação de quem foi eleito para representar milhares de cidadãos.
Se nos dão menos tempo, falamos com mais precisão.
Se tentam baixar o volume, aumentamos a firmeza.
Porque a nossa voz não é decorativa. É a voz de quem trabalha, paga impostos e exige respeito.
E essa voz não se mede ao cronómetro.

