Enquanto deputada municipal, olho para Ponta Delgada e vejo uma cidade com um potencial extraordinário, mas claramente à procura de rumo. Temos história, localização estratégica, dinamismo empresarial e capacidade humana. O que falta não são recursos, falta direção.
Mais do que moldar o município para impressionar visitantes ocasionais, considero imperativo que a autarquia prepare a cidade, antes de mais, para quem cá vive todos os dias. São os residentes que sustentam o comércio, as escolas, as associações, a economia local e a identidade de Ponta Delgada. E são eles que precisam de condições dignas de vida e de oportunidades reais de desenvolvimento.
Os desafios estruturais que enfrentamos são evidentes e persistentes. A segurança continua a ser uma preocupação latente. O acesso à habitação está cada vez mais restrito e oneroso. O emprego qualificado é insuficiente para fixar jovens. O comércio local luta para sobreviver. A mobilidade urbana é limitada e pouco eficiente. E a crescente presença de mendicidade nas ruas afeta tanto a imagem da cidade como a sensação de segurança de quem aqui vive.
Estes problemas não são meros inconvenientes do quotidiano. São sintomas claros de ausência de visão estratégica e de falta de ação concertada. São problemas que se arrastam de mandato em mandato, sempre adiados, sempre empurrados para a frente.
Vejo ruas onde a insegurança é cada vez mais sentida. Vejo o declínio do comércio tradicional na baixa. Vejo jovens a sair porque não encontram oportunidades. Vejo dificuldades diárias na mobilidade que condicionam a qualidade de vida. E vejo o aumento de situações de vulnerabilidade social que não estão a ser prevenidas nem acompanhadas com a eficácia necessária.
Se queremos revitalizar Ponta Delgada, temos de começar pelo seu coração económico e cultural: o comércio da baixa. Defendo incentivos claros para quem queira abrir novos negócios, uma revisão equilibrada dos horários de funcionamento para estimular circulação e consumo, e a criação de pontos de venda-teste dedicados aos produtos regionais, valorizando a identidade açoriana. Estas são medidas concretas, executáveis e com impacto direto na economia local.
Acredito profundamente que Ponta Delgada pode mudar de rumo. Mas isso exige políticas estruturadas e eficazes: reforço da segurança e da presença policial, programas sérios de habitação acessível para jovens e famílias, incentivos consistentes para revitalizar o comércio e soluções de mobilidade que tornem a cidade funcional, moderna e acessível.
Não podemos continuar a gerir o presente sem planear o futuro.
Ponta Delgada tem talento, tem recursos e tem capacidade para se afirmar como uma cidade moderna, segura e próspera. O que falta é coragem política, determinação e uma visão clara. A responsabilidade de agir não pode ser constantemente adiada.
Enquanto deputada municipal, continuarei a defender uma cidade onde a segurança, o emprego, a mobilidade eficiente e a valorização do espaço urbano sejam prioridades reais e não apenas intenções em papel.
Porque Ponta Delgada deve ser preparada, acima de tudo, para quem aqui vive, trabalha e constrói diariamente o seu futuro, e não apenas para quem nos visita.
Paula Martins do Vale
Deputada Municipal do CHEGA em Ponta Delgada
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