As imagens de Ceuta correram o mundo. Milhares de pessoas a entrar de uma só vez em território europeu. Uns a nado, outros a ultrapassar as fronteiras. E a pergunta que qualquer cidadão faz é simples: se isto acontece em Ceuta, amanhã pode acontecer noutro ponto qualquer da Europa?
Durante anos disseram-nos que quem alertava para o problema da imigração ilegal era alarmista. Que eram exageros. Que as fronteiras estavam controladas. Afinal, basta olhar para Ceuta para perceber que não estavam.
Quando milhares de pessoas entram ao mesmo tempo, não há país que consiga saber imediatamente quem são, de onde vêm, se dizem a verdade sobre a sua identidade ou quais são as suas verdadeiras intenções. Isto não é xenofobia. É bom senso.
É evidente que muitas destas pessoas procuram fugir à pobreza e encontrar uma vida melhor. Ninguém nega essa realidade. Mas também ninguém pode exigir aos europeus que fechem os olhos aos riscos que uma entrada descontrolada representa.
Quem garante que entre milhares de pessoas não entram criminosos? Quem garante que não entram traficantes? Quem garante que não entram indivíduos radicalizados ou até elementos ligados ao terrorismo? A resposta honesta é simples: ninguém pode dar essa garantia absoluta.
É precisamente por isso que existem fronteiras. É precisamente por isso que existem forças de segurança. É precisamente por isso que os países recolhem impressões digitais, fazem controlos biométricos e cruzam bases de dados. Porque o risco existe.
O problema é que, quando entram milhares de pessoas ao mesmo tempo, esse controlo torna-se muito mais difícil.
Há outro aspeto de que quase ninguém gosta de falar. Cada entrada ilegal bem-sucedida envia uma mensagem para o resto do mundo: vale a pena tentar. E essa mensagem fortalece as redes de tráfico humano que fazem milhões à custa do desespero de quem procura chegar à Europa.
Depois vêm as consequências que todos conhecemos: mais pressão sobre a habitação, sobre a saúde, sobre as escolas, sobre a segurança social e sobre as forças policiais. Quem paga? Os contribuintes europeus.
E enquanto tudo isto acontece, muitos responsáveis políticos continuam mais preocupados em chamar nomes a quem levanta estas questões do que em resolver o problema.
Defender fronteiras não é ser contra a imigração legal. Não é ser contra quem trabalha, respeita as leis e quer construir uma vida melhor.
Defender fronteiras é defender um princípio básico: é cada Estado soberano que decide quem entra, quem fica e em que condições.
Sem esse princípio deixa de haver política migratória. Passa a existir apenas imigração descontrolada.
Ceuta não é apenas um problema de Espanha. É um aviso para toda a Europa.
Se a União Europeia não conseguir proteger as suas fronteiras externas, dificilmente conseguirá proteger a segurança, a estabilidade social e a confiança dos seus próprios cidadãos.
A solidariedade é um valor importante. Mas nenhuma sociedade consegue ser solidária se perder primeiro o controlo sobre a sua própria casa.
A Europa ainda vai a tempo de agir. A questão é saber se terá coragem para o fazer ou se continuará a fingir que nada está a acontecer, até que a próxima Ceuta aconteça noutro ponto qualquer das nossas fronteiras.
José Pacheco
Presidente e Deputado do CHEGA Açores
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