Foi esta a frase que Júlio César terá proferido ao reconhecer, entre os punhais que o trespassavam, o de quem lhe era próximo. Hoje, essa frase deveria ecoar na política portuguesa, dirigida ao CDS, pela posição tomada na segunda volta das eleições presidenciais.
O CDS não caiu!
O CDS apunhalou-se a si próprio.
Quando se esperava clareza, houve silêncio. Quando se exigia coragem política, houve cálculo. Quando era tempo de escolher um campo, preferiram ficar do lado errado da História.
Onde está o CDS que dizia representar a direita portuguesa? Onde está o partido que, em momentos decisivos, sabia escolher?
Hoje, Manuel Monteiro deve estar a ferver, porque sabe, que esta não é a direita que ele defendeu, nem o CDS que ajudou a construir. O que resta é um partido sem nervo, apenas com instinto de sobrevivência.
Pergunta-se para que serve um partido de direita que não apoia uma candidatura de direita? O CDS tem medo do seu próprio eleitorado, se é que ainda existe.
Francisco, não o Papa, mas o homem que levou o CDS à irrelevância eleitoral, acha-se agora no direito de dar lições de moral política. O mesmo que enterrou o partido recusa apoiar André Ventura, não por divergência séria, mas por medo, por complexo, por vergonha de assumir aquilo a que reduziu o CDS.
Até Cecília Meireles, do meu tempo em que eu próprio, estava ao lado de Manuel Monteiro e Paulo Portas, que tantos discursos inflamados fez contra a esquerda, escolheu o lado errado da barricada. Quando chegou o momento de provar convicções, preferiu o conforto da televisão e de comentadora.
E a cereja no topo do bolo: o próprio Paulo Portas, que também outrora flamejava o Partido Socialista e não só, com artigos no seu jornal, vem agora dar apoio a António José Seguro, argumentando: «Foi um político decente num momento muito difícil por Portugal.» Não se lhe tiramos o mérito, mas caramba renegar à própria essência que era o CDS. Mas, por outro lado não é difícil de aceitar, vão enfiando esses barretes: lembram-se de Freitas do Amaral? E de mandarem o seu retrato oficial de presidente do partido para o Largo do Rato?
O resultado é simples e brutal: o CDS assinou a sua sentença final.
Se antes estava moribundo, depois dessas presidenciais ficou politicamente morto. Sem povo, sem militantes, sem espaço, sem coragem. Um partido que renega a direita não pode esperar que a direita o salve.
A história da política portuguesa vai registar este momento não como um erro, mas como uma traição.
Traição aos eleitores; traição à direita portuguesa; traição à sua própria identidade.
«Até tu, Brutus.»
Não escolhemos esta frase como literária, mas como um grito de revolta. Porque na política, quem trai no momento decisivo, não volta a ser perdoado.
João Luís da Câmara
Dirigente do CHEGA da Ribeira Grande

