Muito rolou por esse país fora, em blogues pessoais e colunas de jornais, o projeto aprovado pelo Parlamento Açoriano, de origem no Chega Açores e com a aprovação da Coligação e abstenção da IL.
Nos Açores, a questão é falada nos vários círculos intimistas, se é positivo ou negativo, se irá dar mais votos à esquerda ou à direita.
Primeiro, veio logo o lume pelos habituais da canhota, (permita-me a quem de direito esta expressão) que era uma discriminação, que o Chega é um partido radical, quase desprovido de sentimentos pelo próximo. Tenham lá juízo.
Esquecem-se que, em 2001, o Governo da altura fez igualzinho: (…)”A valência de creche destina-se a acolher as crianças pertencentes a famílias em que ambos os progenitores, o progenitor que tem a criança à sua guarda ou aquele ou aqueles a quem a criança foi confiada, trabalham ou famílias que por razões sociais devidamente fundamentadas, não possam assegurar em permanência a sua assistência”(…)
Os sucessivos governos são os principais culpados de não haver essas valências.
Chamemos de creches ou outro nome qualquer. Nenhuma criança deveria sofrer por causa destas leis aprovadas. Mas, infelizmente há pais inconsequentes, que por opção acham que não devem trabalhar e que o Estado lhes há de assistir. E há os outros, que trabalham, muitas vezes têm dois empregos, e não conseguem vaga para a sua criança numa creche.
Lembra-nos uma amiga professora em Rabo de Peixe, que numa aula perguntou aos alunos que profissões gostariam de ter no futuro. O espanto foi saber que, para muitos, o Rendimento Mínimo era uma profissão! Ao que se chegou! Isso dito por crianças.
O problema não é só o da pobreza de algibeira, mas sim a pobreza de espírito da maior parte da população, que os sucessivos governos têm passado com paninhos quentes e tapado com uma peneira.
Quer se concorde, mais ou menos, com esta “lei” das creches, o facto é que para grandes problemas, grandes soluções. Se esta é ou não a mais certa, é a que neste momento mais serve. Doa a quem doer, até que estes governos tenham a coragem de acabar com estas “mamas”. Ou o mais importante para a Vila de Rabo de Peixe – entre outras, mas esta é que tem o maior índice de pobreza e de Rendimento Mínimo – são os festivais de música ou festivais de caldos de peixe.
Pão e circo minha gente. Em vez dessas brincadeiras, e porque os municípios e as freguesias têm alguma autonomia, façam-se mais creches, mais ATL’s, ou o que quiserem chamar. Há que ter também vontade. Não é só Netflix. Nem gabinetes de apoio a uma pequeníssima franja da sociedade.
Há de chegar o dia em que o povo se revoltará outra vez, nas urnas ou na rua, atirarão certos políticos pelas janelas, e terão razão!
Disse.
Julho do ano da Graça de JC 2024
JL

