Há coincidências curiosas. Ou talvez não sejam assim tão coincidentes.
Segundo foi avançado pela RTP Açores, o presidente da LOTAÇOR terá apresentado a demissão e não quis prestar declarações.
E isto acontece precisamente numa altura em que voltamos a colocar a situação da LOTAÇOR e das pescas em cima da mesa.
Os números ajudam a perceber porquê.
A LOTAÇOR terminou 2025 com 2,42 milhões de euros de prejuízo e um passivo que ultrapassa os 30 milhões de euros. Desde 2015, beneficiou de quase 70 milhões de euros em avales públicos e, ainda este ano, foi autorizado mais um aval de 7,3 milhões de euros.
Em fevereiro tivemos até trabalhadores com os salários atrasados.
E, em julho, ficámos a saber que a empresa pretendia reduzir cerca de 50% dos cargos de chefia para equilibrar as contas.
Ora, a pergunta é tão simples quanto esta:
Se agora podemos cortar 50% das chefias, porque razão tivemos durante todos estes anos uma estrutura tão pesada? E quanto custou aos açorianos?
É precisamente isto que queremos saber.
No passado dia 4 de agosto, o CHEGA Açores apresentou um requerimento para conhecer os custos reais de toda a estrutura pública ligada às pescas, incluindo a LOTAÇOR.
Queremos saber quanto custa. Quanto recebe do Orçamento Regional. Quanto deve. Quanto gasta em pessoal, administrações, chefias, assessorias e serviços externos. E, principalmente, queremos perceber se todo este dinheiro está efetivamente a servir aqueles que deveriam estar no centro do sistema: os pescadores açorianos.
Porque basta falar com os pescadores.
Falam-nos das taxas, das injustiças, da burocracia e de uma estrutura que, demasiadas vezes, parece estar mais preocupada consigo própria do que com quem todos os dias vai para o mar.
Já dissemos e voltamos a dizer: temos de discutir seriamente o futuro da LOTAÇOR, incluindo a possibilidade da sua privatização, estudando modelos que funcionem melhor e que coloquem os pescadores em primeiro lugar.
E enquanto isso não acontece, há uma coisa que o Governo Regional tem obrigação de fazer:
colocar à frente da LOTAÇOR pessoas que percebam verdadeiramente de pescas, do mercado do pescado e das dificuldades de quem vive desta atividade.
Não precisamos de lugares para amigos dos partidos. Precisamos de competência.
Se o presidente se demitiu, o Governo tem agora de explicar aos açorianos porque saiu, qual é a verdadeira situação da empresa e o que pretende fazer a seguir.
Porque quando uma empresa pública acumula milhões de euros de prejuízos e de dívida, recebe sucessivos avales públicos, atrasa salários e depois anuncia que pode eliminar metade das chefias, não podemos simplesmente fingir que está tudo bem.
A conta é paga pelos contribuintes.
E nós vamos continuar a fazer aquilo para que fomos eleitos:
perguntar, fiscalizar e exigir respostas.
Porque a LOTAÇOR não pode continuar a ser uma prateleira dourada dos partidos do sistema.
Tem de servir quem realmente importa:
OS PESCADORES AÇORIANOS.
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