InícioAutarquiasNÃO BASTA SER LEGAL, TEM DE EXISTIR ÉTICA

NÃO BASTA SER LEGAL, TEM DE EXISTIR ÉTICA

Na última reunião da Câmara Municipal de Ponta Delgada, o CHEGA votou contra a atribuição de um apoio financeiro de 10.000 euros a uma associação, por considerar que as circunstâncias que envolvem este processo justificavam, no mínimo, uma reflexão séria sobre ética, transparência e imparcialidade na atribuição de dinheiros públicos.

A Presidente da associação beneficiária integrou as listas do PSD à Câmara Municipal de Ponta Delgada nas eleições autárquicas de 2025, manifestou publicamente apoio ao atual Presidente da Câmara, participou em iniciativas partidárias do PSD e desempenha atualmente funções num cargo público para o qual foi nomeada pelo Governo Regional dos Açores.

É muita coincidência política reunida no mesmo processo? Cada munícipe fará a sua própria avaliação.

Perante estas circunstâncias, o Vereador do CHEGA apresentou na própria reunião elementos que sustentavam as suas reservas e questionou várias vezes o Executivo sobre a eventual existência de conflito de interesses.

O Presidente da Câmara respondeu categoricamente que não existia qualquer conflito de interesses.

O CHEGA pediu que essa afirmação ficasse expressamente registada em ata.

O apoio de 10.000 euros acabou por ser aprovado com os votos favoráveis do PSD e do PS, tendo o CHEGA votado contra.

E queremos ser absolutamente claros: não estamos a afirmar que foi cometida qualquer ilegalidade, nem que existiu favorecimento.

Estamos a dizer algo muito mais simples:
Quando se administra o dinheiro dos contribuintes, basta cumprir a lei?

Para o CHEGA, não.

É preciso também existir ética, transparência, imparcialidade e critérios que permitam aos cidadãos confiar plenamente nas decisões tomadas.

Porque uma decisão pode cumprir todos os requisitos legais e, ainda assim, suscitar legítimas dúvidas políticas e éticas. E quando essas dúvidas existem, compete aos eleitos perguntar, fiscalizar e exigir esclarecimentos e não olhar para o lado.

Curiosamente, perante todas estas circunstâncias, PSD e PS não tiveram as mesmas reservas que o CHEGA e aprovaram o apoio.

É uma opção política que respeitamos.

Os munícipes também terão oportunidade de fazer a sua própria avaliação.

O CHEGA continuará a fiscalizar a utilização de cada euro de dinheiro público, independentemente do partido, associação ou pessoa que esteja em causa.

Porque, para nós, não basta ser legal. Tem de existir ética.

RELATED ARTICLES

Deixe um comentário

Most Popular

Recent Comments