Nos Açores há uma geração com talento, formação e vontade de trabalhar. Os nossos jovens não são desinteressados.
O que lhes falta não é vontade. São oportunidades.
Hoje, muitos estudam, qualificam-se e acabam por sair. Não porque querem, mas porque sentem que não conseguem construir aqui o seu futuro.
Isto deve preocupar-nos a todos.
Há jovens que aceitam trabalhos abaixo das suas qualificações. Outros saem para o continente ou para o estrangeiro à procura de melhores condições. Não é uma escolha fácil. É muitas vezes a única solução.
Há também um investimento que está a ser perdido. A região investe na formação destes jovens, através de bolsas e apoios, mas muitos acabam por sair após concluírem os estudos. Forma-se talento nos Açores que depois é aproveitado fora.
Existe igualmente uma dificuldade crescente no acesso à habitação. Ter casa própria tornou-se um objetivo quase fora do alcance de muitos jovens açorianos. Entre preços elevados, dificuldade no crédito e salários desajustados, construir uma vida autónoma na região tornou-se cada vez mais difícil.
O mercado de trabalho também está em mudança. A entrada de mão de obra externa, muitas vezes mais barata, levanta desafios que devem ser discutidos com equilíbrio e transparência, sobretudo no impacto que pode ter nos salários e na fixação de jovens locais.
Há ainda uma realidade humana que não pode ser ignorada. Muitos jovens casais veem-se obrigados a viver separados. Um emigra para trabalhar, enquanto o outro permanece nos Açores com os filhos.
Pais longe dos filhos. Famílias divididas.
Em 2026, isto devia ser impensável. Numa região europeia, com tantos recursos e potencial, não faz sentido que ainda haja famílias obrigadas a viver separadas para garantir estabilidade.
Existe também uma consequência clara: a diminuição demográfica. Quando os jovens saem, a região envelhece, perde dinamismo e perde futuro.
Queremos as nossas pessoas. Queremos os nossos jovens cá, a trabalhar, a construir família, a dar vida às nossas ilhas.
Os Açores têm potencial. Têm recursos. Têm jovens capazes.
Não basta dizer que os jovens são o futuro. É preciso olhar para o presente.
Porque quando um jovem sai, não estamos apenas a perder uma pessoa. Estamos a perder parte do futuro dos Açores.
E isso é algo que não podemos continuar a aceitar como inevitável.
Lorena Pereira
Deputada Municipal do CHEGA em Ponta Delgada

