A célebre frase de Passos Coelho, no contexto do governo da geringonça liderado por António Costa — “vem aí o diabo” — foi amplamente ridicularizada pela esquerda. Diziam que o diabo nunca chegou. Mas a verdade é mais incómoda: o diabo veio, apenas foi disfarçado por circunstâncias externas excecionais.
Se não fosse a ação decisiva do Banco Central Europeu, liderado por Mário Draghi — com compra massiva de dívida, juros negativos e a promessa de fazer “tudo o que fosse necessário” para salvar o euro — os efeitos teriam sido bem mais visíveis e imediatos.
Ainda assim, será honesto dizer que o diabo não passou por Portugal? Entre 2015 e 2023 assistimos à degradação progressiva dos serviços públicos: o SNS em rutura, a educação fragilizada, uma carga fiscal recorde, uma crise de habitação sem precedentes, imigração descontrolada, aumento da burocracia, incêndios recorrentes e sucessivos casos de má gestão e corrupção. Com os governos de António Costa o país empobreceu estruturalmente.
E nos Açores?
Hoje, fala-se abertamente em risco financeiro. Uns com base técnica, outros por preocupação legítima e outros ainda por cálculo político. Mas mais importante do que intenções é encarar a realidade: a região enfrenta um problema sério de sustentabilidade das suas contas públicas.
Em 2024 o défice das contas públicas foi de 120,3 milhões de euros e a dívida do setor público administrativo regional atingiu 3.492,9 milhões de euros, mais 5,3% do que no ano anterior. Numa ótica de contas europeias (critério Eurostat), o défice ascendeu a cerca de 247 milhões de euros. Para 2025 é possível que fique ainda pior.
Com um défice já acima dos 3% do PIB regional, os Açores enfrentam um cenário de forte pressão financeira. Se não fosse o reforço extraordinário de 225 milhões de euros do Orçamento do Estado, a região teria sérias dificuldades em cumprir compromissos básicos, desde pagamentos a fornecedores até à execução do PRR.
O problema, porém, não é apenas financeiro — é estrutural e político. Durante décadas, acumulou-se uma máquina pública pesada, um setor empresarial público ineficiente e uma cultura de despesa sem responsabilização. Hoje, falta coragem para enfrentar essa realidade.
É mais fácil falar em “falta de receita” do que assumir a necessidade de cortar despesa. É mais cómodo adiar decisões do que reformar o que está errado. Mesmo quando se anunciam cortes — como os 30 milhões previstos para 2025 — falta consistência e vontade política para ir mais longe.
Os Açores precisam de reformas profundas: reduzir a dimensão do Estado, racionalizar serviços, privatizar empresas públicas sem função estratégica, simplificar a burocracia e criar condições para o crescimento económico.
Infelizmente, tal como no passado, parece que só a pressão externa força mudanças. A história recente mostra-o: sem regras europeias, a disciplina orçamental dificilmente existiria.
O CHEGA apresentou, em setembro de 2025, um conjunto de 21 medidas concretas para reforçar a eficiência da administração pública e garantir a sustentabilidade financeira da região. Indicamos caminhos, cumpre ao governo segui-los ou propor alternativas.
Para agravar a situação, surge agora a tempestade perfeita: crise enérgica devido a guerra, a queda consistente do turismo e a previsível subida dos juros da dívida e os problemas estruturais por resolver.
A questão é simples: queremos agir agora ou esperar que o “diabo” volte a impor soluções de fora?
Nos Açores, ele já bate à porta.
Francisco Lima
Deputado e Vice-Presidente do CHEGA Açores
#chegaaçores #ChegaAçores #JoséPacheco #josepacheco #OliveriaSantos #FranciscoLima #HeliaCardoso #JosePauloSousa #partidochega #andréventura #CHEGA #andreventura #NãoNosCalarão #SomosATuaVoz #Açores #AçoresComVentura #MaisPróximoDasPessoas

