InícioOpiniãoCADEIA OU HOSPITAL? AS PRIORIDADES TROCADAS!

CADEIA OU HOSPITAL? AS PRIORIDADES TROCADAS!

Quase dois anos depois do incêndio no Hospital Divino Espírito Santo, aquilo que deveria envergonhar qualquer governo continua a ser tratado com uma normalidade inquietante: a maior unidade de saúde dos Açores permanece sem solução definitiva.

E o mais grave não é apenas o atraso. É a escolha consciente das prioridades.

O Governo Regional dos Açores teve tempo, meios e responsabilidade para resolver este problema. Não o fez.

Em vez disso, gastou mais de 30 milhões de euros em estruturas modulares que eram apresentadas como provisórias, mas que hoje são o símbolo de uma governação improvisada, sem planeamento e sem respeito pelos açorianos.

Profissionais de saúde trabalham em condições precárias. Utentes são atendidos em instalações indignas. E o Governo assiste, anuncia… e adia.

Mas quando se trata de outras prioridades, a rapidez aparece.

O presidente do Governo Regional anunciou como urgente a construção de uma nova cadeia. Urgente?
Não o hospital.
Não a saúde.
Não a dignidade de quem precisa de cuidados.

A prioridade é uma prisão, um “hotel” com tudo pago sem ter que contribuir com nada. Para os presos, investimento é urgência. Para os açorianos de bem, contentores e promessas.

Isto não é apenas uma decisão errada é uma inversão completa de valores.

Quem governa está a dizer, sem o assumir, que a saúde pode esperar. Que os açorianos aguentam. Que viver com serviços improvisados é aceitável. Não é!

Não é aceitável que quem paga impostos seja tratado com menos prioridade do que quem está privado da liberdade a pagar crimes cometidos.

Não é aceitável que o provisório se transforme em permanente sem consequências políticas.

E é precisamente aqui que está o problema: a ausência de responsabilidade.
Já não basta o histórico desinteresse do Governo da República pelos Açores. Hoje, o maior problema é interno é um governo regional que falha nas escolhas essenciais.

A saúde não pode ser um tema secundário. Não pode ser adiada. Não pode ser gerida como um problema menor.

O que está em causa não é apenas um hospital. É o respeito por toda uma população.

E esse respeito, neste momento, não existe.

Pedro Rodrigues
Dirigente CHEGA Açores e Autarca do em Ponta Delgada

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