Quase dois anos depois do incêndio no Hospital Divino Espírito Santo, aquilo que deveria envergonhar qualquer governo continua a ser tratado com uma normalidade inquietante: a maior unidade de saúde dos Açores permanece sem solução definitiva.
E o mais grave não é apenas o atraso. É a escolha consciente das prioridades.
O Governo Regional dos Açores teve tempo, meios e responsabilidade para resolver este problema. Não o fez.
Em vez disso, gastou mais de 30 milhões de euros em estruturas modulares que eram apresentadas como provisórias, mas que hoje são o símbolo de uma governação improvisada, sem planeamento e sem respeito pelos açorianos.
Profissionais de saúde trabalham em condições precárias. Utentes são atendidos em instalações indignas. E o Governo assiste, anuncia… e adia.
Mas quando se trata de outras prioridades, a rapidez aparece.
O presidente do Governo Regional anunciou como urgente a construção de uma nova cadeia. Urgente?
Não o hospital.
Não a saúde.
Não a dignidade de quem precisa de cuidados.
A prioridade é uma prisão, um “hotel” com tudo pago sem ter que contribuir com nada. Para os presos, investimento é urgência. Para os açorianos de bem, contentores e promessas.
Isto não é apenas uma decisão errada é uma inversão completa de valores.
Quem governa está a dizer, sem o assumir, que a saúde pode esperar. Que os açorianos aguentam. Que viver com serviços improvisados é aceitável. Não é!
Não é aceitável que quem paga impostos seja tratado com menos prioridade do que quem está privado da liberdade a pagar crimes cometidos.
Não é aceitável que o provisório se transforme em permanente sem consequências políticas.
E é precisamente aqui que está o problema: a ausência de responsabilidade.
Já não basta o histórico desinteresse do Governo da República pelos Açores. Hoje, o maior problema é interno é um governo regional que falha nas escolhas essenciais.
A saúde não pode ser um tema secundário. Não pode ser adiada. Não pode ser gerida como um problema menor.
O que está em causa não é apenas um hospital. É o respeito por toda uma população.
E esse respeito, neste momento, não existe.
Pedro Rodrigues
Dirigente CHEGA Açores e Autarca do em Ponta Delgada

