A classe média está cansada. Cansada de trabalhar, de descontar, de pagar tudo e de ver que, no fim do mês, sobra cada vez menos ou mesmo nada!
É sempre a mesma classe a aguentar o peso todo. É a classe média que trabalha, que cumpre, que paga impostos, que paga os estudos, que paga refeições escolares mais caras, que paga transportes, contas, renda ou prestação da casa, e quase nunca tem direito a nada.
E é aqui que está a revolta, quem trabalha e desconta sente que está sempre a sustentar o sistema, enquanto outros, que pouco ou nada descontaram, acabam por ter acesso a quase tudo grátis. Isto cria um sentimento de injustiça que está a crescer e que já não pode continuar a ser ignorado.
E depois ainda tem de lidar com números que mostram bem a realidade do país e obviamente também dos Açores: segundo a OCDE, em Portugal basta ganhar cerca de 688€ por mês para ser considerado classe média, e quem recebe mais de 1836€ já é visto como classe alta. Ou seja, valores que noutros países europeus são baixos, aqui colocam uma pessoa nos escalões mais altos. Não admira que a classe média portuguesa seja das que tem menos poder de compra na Europa, e que muitos nem sequer se reconheçam como classe média.
A classe média está num limbo , demasiado “rica” para ter acesso a apoios sociais, mas demasiado “pobre” para conseguir viver com estabilidade.
Isto diz tudo sobre o país em que vivemos.
Não se trata de ser contra apoios. Trata-se de haver equilíbrio, justiça e respeito por quem carrega o país às costas todos os dias.
Porque saúde, educação e habitação não são favores, são direitos que estão na Constituição. Não são esmolas, não são prendas políticas.
Porque quem sustenta o sistema não pode continuar a ser quem mais sacrifica, tem de ser quem mais vê justiça.
Lorena Pereira
Deputada Municipal do CHEGA em Ponta Delgada

