InícioOpiniãoALIMENTAR A POBREZA: O GRANDE FALHANÇO DOS AÇORES

ALIMENTAR A POBREZA: O GRANDE FALHANÇO DOS AÇORES

Há uma diferença fundamental, e muitas vezes ignorada, entre combater a pobreza e alimentar a pobreza.

Combater a pobreza exige coragem política. Significa retirar pessoas da dependência, criar condições para que trabalhem, cresçam e tenham autonomia. Significa abrir caminhos, gerar oportunidades e devolver dignidade a quem dela precisa.

Alimentar a pobreza é o oposto. É transformar a dependência num modelo de governação. É tratar cidadãos como eternos beneficiários, mantendo-os presos a subsídios, relatórios, programas e promessas que nunca se traduzem em mudança real. Durante décadas, foi exatamente isso que aconteceu nos Açores.

Criou-se um sistema onde muitos vivem da gestão da pobreza, não da sua resolução. Um sistema onde há quem tenha mais a perder com o fim da pobreza do que com a sua continuidade. Porque acabar com o problema significaria acabar com estruturas, cargos, protagonismos e interesses instalados.

E depois admiram-se quando os números falam por si. Mesmo após anos de políticas sociais, continuamos entre as regiões mais pobres de Portugal e da Europa. Isto não é azar. Isto é consequência direta de opções políticas erradas, repetidas até à exaustão.

Mais grave ainda: assistimos à criação de gerações inteiras dependentes de apoios sociais. Não uma, não duas, mas já uma terceira geração. Isto não é proteção social. Isto é institucionalização da pobreza.

E agora vemos o mesmo modelo a tentar reinventar-se.

Com a redução do RSI, resultado claro de uma mudança de rumo político protagonizado pelo CHEGA, surgem novas tentativas de manter o sistema vivo. Novos espaços, novas funções, novas justificações. A lógica mantém-se: garantir que a dependência não desaparece, apenas muda de nome.

Tudo isto enquanto a esmagadora maioria dos açorianos continua a levantar-se todos os dias para trabalhar, pagar impostos e sustentar um sistema que, muitas vezes, parece premiar quem não contribui e penalizar quem cumpre. Essa é a verdadeira injustiça.

Há uma fratura evidente entre quem vive do seu esforço e quem foi empurrado, ou acomodado, a viver da dependência. E essa fratura não foi criada pelas pessoas. Foi criada por políticas erradas.

Políticas feitas por quem vive distante da realidade. Por quem conhece a pobreza através de relatórios e gabinetes, mas não através da vida real.

O combate à pobreza deveria ter começado nas famílias, e falhou. Agora querem levá-lo para as escolas. A seguir, provavelmente, quererão levá-lo para as maternidades. Ou seja, vão arrastando o falhanço de setor em setor, enquanto os problemas estruturais se mantêm.

A pergunta impõe-se: depois de décadas de programas, estudos e milhões gastos, onde estão os resultados?

Onde está a redução estrutural da pobreza?
Onde está a mobilidade social?
Onde está a dignidade devolvida a quem dela precisa?

A resposta é simples: não está. E não está porque nunca foi essa a prioridade.

Nos Açores, durante demasiado tempo, governou-se para gerir a pobreza, não para a eliminar. Essa lógica tem de acabar.

Precisamos de políticas que libertem, não que aprisionem. Que incentivem o trabalho, a responsabilidade e a autonomia. Que apoiem quem realmente precisa, mas que nunca transformem esse apoio num modo de vida permanente.

Se querem um exemplo claro, aqui vai: deixem de aprisionar jovens nas escolas até idades avançadas apenas para garantir a continuidade de apoios sociais aos seus agregados. Mostrem-lhes alternativas reais, formação profissional, acesso a profissões que hoje estão em falta e que são essenciais.

Chega de empurrar todos para cursos superiores sem ligação ao mercado de trabalho. Isso não é solução, é ilusão.

Deixem de decidir a vida das pessoas a partir de gabinetes. Permitam que escolham caminhos reais, com futuro. Porque ajudar não é sustentar dependência. Ajudar é criar independência.

Enquanto houver quem queira perpetuar este modelo, haverá quem o combata.

E uma coisa é certa: não nos calaremos perante um sistema que falhou, e continua a falhar, com os açorianos.

Chegou o tempo de dizer CHEGA.

Chegou o tempo de acabar com a pobreza, não de continuar a alimentá-la.

José Pacheco
Presidente e Deputado do CHEGA Açores

#ChegaAçores #JoséPacheco #OliveriaSantos #FranciscoLima #HeliaCardoso #JosePauloSousa #partidochega #andréventura #CHEGA #NãoNosCalarão #SomosATuaVoz #Açores #AçoresComVentura #MaisPróximoDasPessoas

RELATED ARTICLES

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Most Popular

Recent Comments