A democracia vive de respostas. Vive do diálogo, da transparência e do respeito institucional por quem foi eleito para representar os cidadãos. Quando esse ciclo é quebrado, não estamos perante um problema menor ou meramente administrativo — estamos perante uma falha no próprio funcionamento democrático.
Nos últimos meses, os deputados municipais do CHEGA em Ponta Delgada apresentaram vários requerimentos dirigidos ao Presidente da Câmara, solicitando esclarecimentos sobre matérias de interesse público. Fizeram-no ao abrigo dos mecanismos legais, cumprindo prazos, respeitando normas e exercendo o seu mandato com responsabilidade. No entanto, até à data — e já ultrapassados todos os prazos legais de resposta — o silêncio mantém-se.
Este silêncio não é neutro. Não é irrelevante. E, acima de tudo, não é dirigido ao CHEGA nem aos seus deputados. É, na verdade, uma falta de resposta a todos os cidadãos que confiaram o seu voto nestes representantes. É uma desconsideração por todos aqueles que acreditam que a política deve ser um espaço de escrutínio, proximidade e verdade.
Fazer política séria implica, antes de mais, estar disponível para responder. Implica reconhecer que quem questiona, fiscaliza e pede esclarecimentos está a cumprir um dever democrático — não a criar obstáculos. Quando do outro lado encontramos ausência, evasão ou silêncio, o que se transmite não é apenas falta de resposta: é falta de respeito pelo próprio processo democrático.
O CHEGA tem afirmado, desde o primeiro momento, uma forma diferente de estar na política. Não nos movemos por conveniências nem por silêncios estratégicos. Movemo-nos pela convicção de que a voz das pessoas deve ser ouvida, respeitada e traduzida em ação. “Somos a tua voz” não é um slogan vazio — é um compromisso. Um compromisso com todos aqueles que, tantas vezes, sentem que não são ouvidos.
E é precisamente por isso que não aceitaremos que o silêncio se torne regra. Não aceitaremos que a falta de resposta se normalize. Continuaremos a insistir, a questionar e a exigir esclarecimentos, porque acreditamos que só assim se constrói uma política mais transparente, mais próxima e mais justa.
A mudança não acontece de um dia para o outro. Exige persistência, coragem e, sobretudo, vontade de fazer diferente. Hoje, insistir é um ato de responsabilidade. É a única forma de garantir que amanhã possamos, de facto, viver num sistema político mais digno, mais aberto e mais respeitador dos cidadãos.
Porque, no fim, isto não é apenas uma luta política.
É uma questão de respeito.
É uma questão de democracia.
Paula Martins do Vale
Deputada Municipal do CHEGA em Ponta Delgada

