Que esta Europa governa de costas voltadas para os europeus já nos tínhamos apercebido. As políticas de portas escancaradas à imigração, as agendas ambientais extremistas que destroem a competitividade e um wokismo quase doentio estão a corroer os alicerces da sociedade ocidental.
Esta enorme máquina burocrática inventa novos encargos e alimenta estrutura pesada que, em vez de melhorar a vida das pessoas, parece interessada em justificar a sua existência.
Temos um défice democrático na Europa, porque aqueles que ocupam os cargos centrais da União não são diretamente escolhidos pelos cidadãos. Sobre duas dessas figuras paira uma densa nuvem de falta de credibilidade: Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, e António Costa, presidente do Conselho Europeu. Ursula não esclareceu devidamente as mensagens trocadas com o presidente da Pfizer durante a negociação das vacinas contra a Covid-19. António Costa não deu explicações convincentes sobre os 75 mil euros encontrados no gabinete do seu chefe de gabinete, parte deles escondidos em livros e caixas de vinho. Ambos ficaram feridos na credibilidade e, por isso, na legitimidade.
Esta forma de colocar nos mais altos cargos europeus governantes fragilizados começa a fazer escola. Em Espanha, Pedro Sánchez está rodeado de processos que atingem a mulher, o irmão, dirigentes socialistas e pessoas do seu círculo. Embora não esteja acusado, a dimensão dos casos exige uma discussão sobre a responsabilidade política do primeiro-ministro.
Mas as notícias vindas da Alemanha são mais inquietantes. Perante o crescimento eleitoral da AfD, multiplicam-se iniciativas para limitar ou mesmo ilegalizar o partido. Numa democracia, afastar judicialmente um partido com milhões de votos deve ser uma medida excecional, assente em factos inequívocos e decidida pelos tribunais, nunca um expediente político para eliminar um adversário incómodo. Combater ideias através da proibição é uma admissão de fraqueza democrática.
Depois, os dirigentes europeus mostram-se indignados quando dirigentes norte-americanos os acusam de ignorar as preocupações dos cidadãos e de não respeitar a vontade popular.
Os europeus já perceberam que o futuro é sombrio e que arriscam empobrecer os seus países através da burocracia e das políticas antieconómicas da União. Julgavam, porém, que permaneceriam intocáveis os valores democráticos e sociais. Perante os sinais que se acumulam, arriscamo-nos a perder a prosperidade, a liberdade e a própria democracia.
Começa a ser penoso viver nesta Europa de impossibilidades. A agricultura definha, porque produzir alimentos exige cumprir um pesado caderno de encargos. A pesca é condicionada por restrições e reservas. O turismo sofre, porque as companhias aéreas que garantem as ligações insulares enfrentam taxas adicionais. Na energia, vários países reduziram a sua capacidade produtiva enquanto aumentavam a dependência do gás russo. A invasão da Ucrânia mostrou o custo económico e estratégico dessa irresponsabilidade.
Nem a indústria automóvel resiste. Os construtores chineses, como a BYD, conquistam mercado com automóveis competitivos e preços que desafiam diretamente as marcas europeias. Na defesa, é a Ucrânia, através da inovação nos drones, que mostra à Europa como recuperar capacidade militar.
A Europa já perdeu a guerra económica. Com os exemplos de falta de transparência, má governação e tentativas de silenciamento político, arrisca-se a perder também a democracia.
Francisco Lima
Deputado e Vice-Presidente do CHEGA Açores

