As imagens que chegaram de Rabo de Peixe são lamentáveis e não podem deixar ninguém indiferente. Agredir agentes das forças de segurança, homens e mulheres que estavam a cumprir o seu dever, é absolutamente inaceitável. Quem agride a polícia ultrapassa uma linha que nenhuma indignação ou revolta pode justificar.
Mas há outra injustiça que também não podemos aceitar: transformar os atos de alguns numa condenação de toda uma terra e de todo um povo.
A Vila de Rabo de Peixe não é isto.
Rabo de Peixe é uma vila de gente trabalhadora, humilde e honesta. Uma terra de pescadores, de famílias que lutam diariamente pela vida e de pessoas que, mesmo enfrentando dificuldades, conservam uma enorme dignidade.
Conheço esta realidade de perto. Tive a honra e o privilégio de ser professor em Rabo de Peixe. Conheci as suas pessoas, convivi com as suas famílias e aprendi a respeitar profundamente aquele povo. Por isso, custa-me ver uma comunidade inteira retratada como se fosse uma terra de traficantes e criminosos.
Não é verdade. E não é justo.
Como em qualquer outra localidade, existem pessoas que cometem crimes e que devem responder pelos seus atos. Quem trafica droga deve ser combatido. Quem agride as forças de segurança deve ser responsabilizado. Mas os criminosos têm nome e têm responsabilidade individual. Não representam milhares de pessoas honradas.
Rabo de Peixe não pode ser julgado pelos erros de alguns.
Ainda há poucos dias estive junto dos pescadores daquela vila. Conheço as suas dificuldades, mas também conheço a sua força e a sua humanidade. E continuarei ao lado das pessoas honestas de Rabo de Peixe, como sempre estive.
Ao lado de quem trabalha. Ao lado de quem respeita a lei. Ao lado de quem quer uma vida melhor para os seus filhos.
Nunca ao lado de quem pratica crimes.
Hoje, mais do que nunca, é preciso dizer bem alto:
Rabo de Peixe merece respeito.
Porque uma terra inteira não pode carregar às costas os crimes cometidos por alguns dos seus habitantes.
José Pacheco
Presidente e Deputado do CHEGA Açores

