Face ao aumento generalizado do custo de vida, agravado pelos efeitos da guerra e pela inflação que continua a pressionar as famílias, a Câmara Municipal de Ponta Delgada decide agora avançar com a implementação de um sistema de recolha de lixo porta a porta. Trata-se de uma medida que, na perspetiva do Grupo Municipal do CHEGA, não se adequa à realidade de várias freguesias do concelho.
Antes de impor mudanças estruturais desta natureza, a autarquia deveria ter apostado, de forma clara e consistente, em campanhas de sensibilização e informação dirigidas aos munícipes. A alteração de hábitos no que diz respeito à separação de resíduos não se faz por imposição administrativa, mas sim através de educação cívica, proximidade e esclarecimento.
Acresce que esta medida acarreta custos adicionais para as famílias. A necessidade de adquirir sacos diferenciados para a separação de resíduos representa mais um encargo num contexto económico já difícil.
Em vez de criar condições e disponibilizar gratuitamente as ferramentas necessárias para uma correta gestão dos resíduos, a autarquia opta por transferir essa responsabilidade — e o respetivo custo — para os cidadãos.
A proteção do ambiente é um objetivo comum e inquestionável. No entanto, não pode ser alcançada à custa de decisões precipitadas, desajustadas da realidade social e económica dos munícipes.
O caminho deve ser feito com planeamento, diálogo e responsabilidade — não com pressa nem à custa dos mesmos de sempre.
Luís Franco
Deputado Municipal do CHEGA em Ponta Delgada

