A cerimónia de abertura da chamada Capital Portuguesa da Cultura em Ponta Delgada confirmou, ainda que de forma tardia e disfarçada, aquilo que já desconfiávamos desde o primeiro dia: 5,3 milhões de euros do dinheiro dos contribuintes estão a ser usados para promover uma agenda ideológica de esquerda, carregada de wokismo e propaganda política.
O espetáculo foi claro. Demasiado claro. Num tom laranja berrante, curiosamente a cor que tudo cobre quando se quer fingir neutralidade, desfilaram os slogans do costume, as mensagens recicladas de quem defende “direitos para todos” sem nunca falar de deveres, de quem fala em democracia apenas enquanto esta lhes garante subsídios, palcos e lugares bem pagos à sombra do sistema.
Nada disto é cultura no sentido nobre do termo. Isto é ativismo político financiado por todos, incluindo por quem não se revê nestas causas, por quem trabalha, paga impostos e vê a sua cidade cheia de problemas reais por resolver: habitação inacessível, comércio tradicional a definhar, insegurança crescente, falta de respostas sociais eficazes e uma autarquia mais preocupada com eventos do que com pessoas.
O mais grave é o silêncio cúmplice da Câmara Municipal de Ponta Delgada, que assobia para o lado como se não tivesse qualquer responsabilidade política, financeira ou moral neste processo. Fingem que não viram, fingem que não sabiam, fingem que isto é apenas “cultura”. Não é. É uma opção política consciente, e quem governa não pode fugir às consequências das suas escolhas.
Teremos agora um ano inteiro, pago por todos, de propaganda ideológica, onde alguns sairão com as algibeiras bem mais cheias do que quando entraram, enquanto a maioria continuará a pagar a conta. Depois não se admirem que as salas fiquem vazias. As pessoas não são parvas, não gostam de ser doutrinadas e muito menos de pagar para assistir a sermões políticos disfarçados de arte.
Quando tudo estiver gasto, distribuído e embolsado, dirão que afinal “houve excessos”. Nessa altura já será tarde.
Mas convém lembrar uma coisa simples: a democracia tem consequências. Escolhem-se políticos, escolhem-se agendas, escolhem-se prioridades. E depois, goste-se ou não, aguentam-se os resultados.
O CHEGA não se cala agora nem se calará depois. Avisámos antes. Denunciamos durante. E não deixaremos passar em claro aquilo que muitos já perceberam: Ponta Delgada não precisava de ser a Capital Portuguesa da Cultura woke. Precisava, isso sim, de ser a capital do bom senso, da responsabilidade e do respeito por quem paga tudo isto.

