Nos Açores, há famílias que trabalham, cumprem as suas obrigações e fazem sacrifícios para chegar ao fim do mês. Mas será que quem decide tem realmente em conta as dificuldades de quem vive com o orçamento contado?
Anuncia-se um apoio de até 80% para a compra de carros elétricos por famílias de menores rendimentos. Mas comprar um carro é uma coisa; mantê-lo é outra! Quem paga o seguro, a manutenção e os restantes encargos? Perante tantas dificuldades, não faria mais sentido investir em transportes públicos coletivos gratuitos para quem comprovadamente precisa? A transição ambiental é importante, mas também é preciso olhar para as necessidades reais das famílias.
Nas bolsas de estudo e nos restantes apoios sociais, os critérios têm de ser justos e transparentes. É necessário avaliar a situação económica de cada agregado e evitar a acumulação de benefícios e isenções. Não podemos esquecer as famílias que trabalham, pagam impostos e, mesmo assim, têm dificuldade em pagar as contas ao fim do mês e não têm direito a apoios.
Também na ajuda alimentar é preciso responsabilidade, há famílias com dificuldades para pôr comida na mesa, evitar o desperdício é uma obrigação!
Não podemos exigir sacrifícios constantes a quem trabalha e paga impostos, sem garantir que o dinheiro público é utilizado de forma justa.
Solidariedade, sim. Desperdício e falta de rigor, não!
Quem precisa de ajuda deve recebê-la. Mas quem trabalha e contribui também merece respeito. Os apoios sociais devem ser atribuídos com justiça e os recursos públicos geridos com responsabilidade.
O dinheiro público não é de quem governa. É de todos nós!
Lorena Pereira
Deputada Municipal do CHEGA em Ponta Delgada

