O caso das gémeas luso-brasileiras voltou à ordem do dia e voltou também a levantar questões que Portugal não pode continuar a ignorar.
Este caso faz-nos lembrar uma velha expressão popular: “quem tem padrinhos é que se batiza”. E, infelizmente, na saúde parece que muitas vezes podemos dizer: quem tem padrinhos é que se cura!
Enquanto alguns conseguem chegar rapidamente onde precisam, nos Açores há pessoas que esperam, em média, cerca de 500 dias por uma cirurgia. Mais de um ano à espera. E há quem espere ainda mais.
São pessoas que vivem com dores, limitações e incerteza. Pessoas que precisam de uma resposta do Serviço Regional de Saúde e que não têm ninguém influente a quem telefonar. E é precisamente aí que está o problema.
Também lhes dava jeito ter um padrinho? Também lhes dava jeito conhecer alguém com influência?
Não podemos aceitar um país onde os contactos, as amizades ou a influência possam abrir portas que permanecem fechadas para o cidadão comum.
E este problema não se limita à saúde. O sentimento de que é preciso conhecer alguém para conseguir resolver um problema, tratar de um processo, construir uma casa ou abrir uma empresa destrói a confiança das pessoas nas instituições.
O caso das gémeas tornou-se um símbolo desta discussão: somos realmente todos tratados da mesma forma perante o Estado?
Isto deixa-nos tristes, mas não nos faz desistir.
Vamos continuar a denunciar e a combater todo e qualquer apadrinhamento. Porque numa democracia séria, os direitos não podem depender dos contactos que cada um tem.
E na saúde, muito menos.
Quem precisa de tratamento deve ser tratado de acordo com a sua necessidade clínica, não de acordo com a sua lista de contactos.
Porque a saúde é um direito.
Não pode ser um privilégio de quem tem padrinhos.
#josepacheco #OliveriaSantos #FranciscoLima #HeliaCardoso #JosePauloSousa #partidochega #andréventura #CHEGA #andreventura #NãoNosCalarão #SomosATuaVoz #Açores #AçoresComVentura #MaisPróximoDasPessoas #HajaSaúde

