Fim do Teto Máximo nas Tarifas para Residentes e Estudantes: mais um golpe na mobilidade da Ilha do Pico
Hoje quero falar de uma decisão que preocupa, e muito, todos aqueles que vivem na nossa ilha do Pico.
Com as novas Obrigações de Serviço Público (OSP) nas ligações aéreas entre os Açores e Lisboa, deixa de existir o teto máximo para as tarifas de residentes e estudantes.
Até agora, quem vive nos Açores sabia que havia um limite: cerca de 300€ para residentes e 230€ para estudantes. Esse limite dava alguma segurança às famílias.
A partir de agora, essa garantia desaparece.
Na prática, os preços passam a depender da procura, exatamente como acontece nas rotas liberalizadas.
E sabemos bem o que isso significa: bilhetes que podem ultrapassar os 600€.
Para quem vive numa grande cidade pode parecer apenas uma subida de preços.
Mas para quem vive numa ilha como o Pico, isto é muito mais do que isso.
Significa estudantes que podem ter mais dificuldade em ir estudar para fora.
Significa famílias que terão de pensar duas vezes antes de visitar os seus filhos.
Significa doentes que precisam de se deslocar ao continente e passam a enfrentar custos ainda maiores.
Significa, no fundo, mais isolamento.
O Pico já enfrenta desafios próprios da insularidade: distância, custos de transporte e menor oferta de ligações diretas.
Retirar este teto máximo é retirar uma das poucas garantias que protegiam quem vive nesta ilha.
A mobilidade não é um luxo.
Para nós, é um direito e uma necessidade.
Quando se tomam decisões destas, é essencial perceber que os Açores não são todos iguais.
Uma coisa é viver em ilhas com grande oferta de voos. Outra muito diferente é viver numa ilha como o Pico, onde cada ligação ao exterior é vital.
Defender a mobilidade dos açorianos é defender igualdade de oportunidades.
E a pergunta que fica é simples:
Quem está realmente a defender os interesses desta ilha?
Porque para quem vive no Pico, cada decisão destas faz toda a diferença.
Gualter Sousa
Dirigente do CHEGA Pico

