Por mais incrível que possa parecer, Portugal assiste nestes dias a um fenómeno raro, artificial e profundamente revelador: a chamada “união nacional” contra André Ventura.
Pelo título, alguém podia pensar que recuámos aos tempos da censura e da “velha senhora”. Mas não. Estamos nos tempos modernos. Os tempos em que caem máscaras. Os tempos em que fica claro quem não quer que o país avance e quem prefere manter-se agarrado a um sistema caduco, gasto e moralmente falido.
Esta não é, nem nunca poderia ser, uma união natural. Basta olhar para a história recente: em matérias verdadeiramente essenciais para o país, raramente vimos esquerda e direita caminhar juntas. Agora caminham. Porquê? Porque, na verdade, muitos dos que se dizem de direita nunca deixaram de ser canhota, alguns mais ao centro, é certo, mas sempre com o coração virado para o mesmo lado.
Veja-se o caso de Cavaco Silva. Apresenta hoje como argumento o facto de Seguro ser “educado”. Talvez fosse melhor estar calado. Em 2014, foi tudo menos meigo: afirmou, sem rodeios, que António José Seguro não tinha condições políticas nem perfil para liderar o país. Falou de falta de preparação, de ausência de liderança, de incapacidade para ser Primeiro-Ministro. Foi demolidor. O que mudou agora? Mudou apenas o medo. O medo de André Ventura.
Depois temos Paulo Portas, o mesmo dos submarinos, que usa a sua confortável tribuna televisiva (o que, diga-se, levanta sérias dúvidas éticas) para dizer que Seguro é “decente”. E, sem nunca pronunciar o nome de André Ventura, acaba por lhe colar o rótulo de “indecente”. Um exercício clássico de cobardia política.
Isto faz-me lembrar o título de um livro do próprio Paulo Portas, “Dormindo com o Inimigo”, onde dizia cobras e lagartos do socialismo. Chegou a afirmar que o socialismo português vive do Estado e não do país real. Afinal, está tudo ligado. Talvez fosse mesmo um romance… de ficção.
Depois surgem as figuras menores do CDS e do PSD, aos berros, a apoiar o candidato da esquerda, como se isso lhes desse algum protagonismo. No meu entender, só lhes traz vergonha. Conhecendo como conheço as suas lutas passadas contra o socialismo, ver este súbito amor é, no mínimo, constrangedor. Agora é tudo bom, tudo fofinho. Tenham paciência.
Faço aqui uma salvaguarda: respeito todos aqueles que, sem protagonismos artificiais, tiveram a coragem de dizer que jamais apoiariam um candidato da esquerda. A isso chama-se coerência política. E faz falta.
Nos Açores, o cenário é ainda mais revelador. Um silêncio ensurdecedor. Os partidos da chamada “direita” preferiram não dizer nada, ou fingir neutralidade. Ficaram em cima do muro, com ar sério e pose institucional. Mas não nos enganemos.
Quando as cúpulas não falam, mandam falar os serviçais. E, disfarçado de voto pessoal, percebe-se perfeitamente a vontade do dono, neste caso, do PSD local e dos seus apêndices.
Neste jogo de ilusões, só não vê quem não quer. E a pergunta impõe-se: como fica, afinal, o relacionamento político nos Açores entre a governação e o CHEGA? A resposta é simples: continuarão a apoiar a esquerda e a pedir o seu apoio quando lhes der jeito.
Convém lembrar uma coisa muito clara: a vida não acaba com as presidenciais. Haverá mais lutas, mais combates políticos, mais momentos de decisão. E uma coisa é certa: não esquecerei quem esteve, e quem está, do lado do socialismo quando foi preciso escolher de que lado da barricada ficar.
Haja saúde!
José Pacheco
Presidente e Deputado do CHEGA Açores
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