InícioNotíciasA NOVA GEOPOLÍTICA DE PODERES: MULTIPOLARIDADE E ZONAS DE TENSÃO

A NOVA GEOPOLÍTICA DE PODERES: MULTIPOLARIDADE E ZONAS DE TENSÃO

Há sem dúvida alguma, neste momento, um Triângulo de Poder no Mundo entre: Estados Unidos da América (EUA), China e Rússia.
Os EUA, que estão com um poder hegemónico em declínio relativo, mas ainda dominante em poder militar, financeiro e cultural, e que, sem dúvida, domina o bloco democrático-alinhado (a NATO).
Temos a China, sem qualquer exagero, a potência em maior ascensão. Busca a supremacia económica e tecnológica e um controle regional, com um contundente expansionismo para o Mar do Sul da China. Caso para dizer: «Quando a China realmente despertar, o Mundo tremerá!».
Finalmente a Rússia, uma potência disruptiva e táctica. Usa instrumentos de poder híbridos, como a guerra, ciberataques, energia e desinformação, para desafiar a ordem ocidental e reafirmar o seu status, não esquecendo que tem forte alinhamento com a China.
Do lado de fora deste triângulo temos uma Europa, que apenas se alinha numa cultura tradicional de valores greco romanos, mas que teimam ainda a não se alinharem numa cultura de Estados Unidos da Europa. Há ainda uma grande fractura interna entre Leste/Oeste em termos de segurança e entre Norte/Sul a nível económico. A Europa continua com a sua dependência estratégica a nível de energia (gás russo), de defesa (Nato/EUA) e tecnológica (principalmente chinesa e americana). Não tem qualquer capacidade para influenciar decisões cruciais como as de Taiwan ou Ucrânia.
Neste momento temos zonas de tensão crítica, para além daquelas que vieram a decorrer, nomeadamente a guerra Ucrânia/Rússia, o recente acontecimento na Venezuela, temos os problemas de Taiwan e Gronelândia. A primeira, Taiwan, é para a China uma província rebelde inalienável. A reunificação irá ser uma questão de tempo, por meios pacíficos ou não. Com isto poderá levar a um conflito directo entre EUA/China, que seria catastrófico. Por outro lado, o repentino interesse na Gronelândia por parte deste eixo, EUA, Rússia, China e naturalmente Europa, como sabemos a Gronelândia é parte integral da Dinamarca. A China tem interesse nesta terra para investir em infra-estruturas, mineração e presença científica no Ártico. A Rússia tem também interesse numa militarização do Árctico e rotas marítimas, e naturalmente os EUA e Europa, com a preocupação de manter a sua base aérea que é vital para a defesa continental dos EUA, e a Europa que pretende defender a todo o custo um território que é seu.
O Mundo, não é mais bipolar. É um sistema multipolar instável onde três ordens mundiais competem entre si, a todos os níveis. E a Europa, dividida e dependente, vê o seu poder relativo, diminuir. O futuro próximo será moldado pela capacidade de estabelecer regras de convivência e evitar que a rivalidade se transforme em conflito aberto. A Europa enfrenta uma escolha existencial: unir-se para ser um pólo autónomo, ou ser diluída na competição entre os gigantes.

João Luís da Câmara
Dirigente CHEGA Ribeira Grande

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